REDUZIR, RECICLAR, REUTILIZAR É PARA OS FORTES

Vamos direto ao ponto. Guardar coisas velhas que já perderam o brilho e boa parte de sua utilidade ocupa um espaço que na maioria das vezes não existe.
É muito mais prático se livrar dos entulhos, por fim ao desespero de ter um monte de coisas que não servem mais pra nada.

Reciclar só é possível se você reinventar a finalidade do objeto, a partir da matéria prima que ele possui, acrescentando algo que ele não possuía. Na real? Reciclar e reutilizar dá um trabalho fudido. É mais fácil jogar no lixo e se concentrar na compra do novo. Deu defeito? Joga fora e compra outro. Essa é a mentalidade dominante.

O principal desafio de uma iniciativa de sustentabilidade é a mudança de mentalidade dos envolvidos. Os 3R’s do Reduzir, Reciclar e Reutilizar demandam muito mais energia, recursos e paciência do que a opção pelo descartável. É por isso que sem incentivos e conscientização não teremos uma sociedade sustentável.

Sobrecarregados, sem capacitação específica, estrutura adequada e tempo para destinar objetos, o final é a lata do lixo, solução prática e rápida para aquilo que se tornou incômodo no seu ambiente caseiro.

O FUTURO A NÓS PERTENCE

Há um ditado popular que diz “O Futuro a Deus Pertence”, uma vez que não temos controle sobre os acontecimentos. Sou fã de ditados populares, mas não costumo guiar meu pensamento por eles. Questionar fórmulas, procurar outros ângulos de observação e pontos de vista é parte do ofício que exerço.

Quero começar pelas Sagradas Escrituras, por aqui adotadas, utilizando uma referência de leitura sugerida por um amigo e profundo conhecedor do tema:

“¹ Do SENHOR é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam

Salmos 24:1″

Nesse ponto, não se trata aqui de um questionamento a quem criou e a definição de quem habita o planeta. Não me vejo em condições de ir tão longe em minha leviandade. O ponto que trago é quanto a quem decide, e qual o grau de autonomia que cada um de nós possui para lidar com seus atos, e quem assumirá o resultado e as consequências de suas decisões. Transferir a conta para pais, mães, gerações ancestrais ou aos malditos colonizadores, até chegar ao criador, aplicando a ele a multa por eventuais defeitos de fábrica e se isentando de qualquer autonomia nas ações praticadas é um erro meio ridículo, praticado aliás, não só pelas religiões, mas em tribunais lenientes e métodos terapêuticos modernos. A ideia da inocência é uma falácia foda de engolir, assim como a de culpa.

Os fatalistas e os fanáticos de certas seitas religiosas praticam essa lavagem cerebral naqueles que nunca leram ao menos a bíblia. É com base nela que sigo na direção oposta, a do LIVRE ARBÍTRIO. Discordo completamente da ideia de que nosso DESTINO já está traçado desde que nascemos, exatamente porque recebemos A LIBERDADE DE ESCOLHA. O ser vivo, o ser humano, dotado de faculdades mentais e capacidade para autonomia em suas decisões, deve assumir a RESPONSABILIDADE pela sua vida e conduzi-la conforme desejar, com propósitos e objetivos. É claro que nem tudo vai acontecer exatamente como planejado. Mas sem propósito e valores como balise, é como se chutar a gol sem saber pra que lado está o gol do adversário. Sua vida só pode ser vivida por você. Faça escolhas, em lugar de ficar congelado, sem ação, ouvindo alguém que quer fazer você acreditar que o futuro já está escrito. É mentira, Deus te deu a LIBERDADE PRA AGIR COM BASE NAS SUAS ESCOLHAS.
A frase popular “O Futuro a Deus Pertence” é quase a proposta do Zeca Pagodinho em seu sucesso “Deixa a Vida Me Levar”, sem eira nem beira, sem objetivos ou propósitos. É óbvio que não está tudo em nossas mãos, mas algumas coisas precisamos fazer. Existe aquele mínimo, acordar, escovar os dentes… Ou não?
O futuro a nós pertence, com a presença de Deus aliada da nossa  autonomia como ser humano, o que é bem diferente de nos olharmos como meros fantoches, bonequinhos nas mãos de todos poderosos, marionetes do destino pré-estabelecido. A máquina do tempo nos dará melhores respostas, a começar pelo olhar para o passado e a revisão e registro histórico, que se iniciou mitológico e atualmente pode se valer das métricas para dar mais precisão ao que vem pela frente. Já sabemos calcular velocidade.

ANÁLISE MULTIVARIADA DAS PRIMÁRIAS NA CAROLINA DO SUL

Estatística? Sim. Entender de que maneira o eleitor está pulverizado e enxergar quem vota em um determinado candidato é peça chave. Traduzir isso em palavras, pra turma das Ciências Humanas, ficou mais fácil para quem não sabe escrever, utilizando Inteligência Artificial.

Em resumo, o eleitorado das primárias republicanas da Carolina do Sul é caracterizado por seu conservadorismo e pela significativa população evangélica. O forte apoio de Trump entre os evangélicos brancos desempenhou um papel crucial em sua vitória sobre Haley na eleição primária da Carolina do Sul.

Pode-se atribuir a vitória folgada de Trump a sua marca reconhecida de sucesso, a lealdade de seus seguidores, comum em grupos radicais e o uso de meios de comunicação convencionais, sem tanta ênfase as mídias sociais. Esse é um assunto a se refletir. A variação por gênero, em que pesem as acusações quanto a sua conduta sexual não lhe retiram tantos votos quanto se imagina.

Já no quesito racial, dos 92% de brancos, tem alguma vantagem, mas também é curiosamente bem votado por não brancos. No peso relativo, não é aqui que “o bicho pega”.

Tendência entre jovens? Trump. É até difícil de acreditar, mas o topetudo é mais popular entre os eleitores mais jovens, que na região representam apenas 7% do total de eleitores. Os 70% de jovens conservadores que o admiram assustam? Reafirma minhas suspeitas sobre insatisfação com a forma como as coisas são governadas hoje, criando uma maioria progressiva anti-sistema.

Me parece que o quesito Educação é o mais determinante para criar uma vantagem encorpada ao pré-candidato republicano. Creio que dentre as 16 variáveis medidas na pesquisa, está claro que o tripé de sustentação mais forte envolve pessoas de renda mais baixa, evangélicos e de baixo nível educacional. Esses três eixos somados, são responsáveis, seja nos EUA ou em qualquer outro país, pelo surgimento de candidatos com perfil copiado do candidato americano. Serão esses a alimentar o imaginário do pobre que sonha com a salvação e a eternidade nesse mundo apocalíptico, mas sem perder a esperança de se tornar um cara de sucesso, um milionário que dispensa e despreza o conhecimento, e de saco cheio do que vê atualmente, um soldado do exército anti-sistema. Esse é o eleitor-raiz de Trump e seus clones pelo mundo.

Os dados de renda não deixam dúvida, o pobre vota e sonha em ser Trump. A questão partidária é forte, num país onde só existem duas opções… E a questão ideológica, por mais incrível que pareça, domina a cena política dos EUA, cagando para avanços da Ciência, e de tudo que envolva o conhecimento. A ideologia só não está acima de Deus, mas o mistura com essa ladainha anti-sistema e educação. Para os que acreditam na Bíblia como única fonte de saber, rezo para que leiam mais, muitos outros livros. O status atual é claro: os evangélicos cristãos brancos mandam na Carolina do Sul. Mandarão aqui?

Quero concluir essa reflexão sobre eleições majoritárias, deixando os temas que um candidato deve ter posicionamento claro para seu eleitorado, sem dar peso a ele, pois varia regionalmente. Já são temas globais, portanto prepare-se para discuti-los na sua região, mesmo em eleições de síndico…

Agora, procure dar a proporção a cada um de suas prioridades. Tentar abraçar a todas é um erro comum, e pode ser fatal as pretensões de um candidato, por mais preparado que seja. Num jogo de cartas, ninguém dá valor máximo ao coringa, embora seja útil em qualquer situação. Uma canastra limpa vale muito mais.

 

LIVROS SÃO OS NOVOS ROTEIROS DAS ESCOLAS DE SAMBA

Um Defeito de Cor, livro esgotado em suas duas últimas edições, graças a publicidade quântica obtida pela ação das asas da Portela. O livro mais vendido no site da Amazon, Um Defeito de Cor. Pode ser útil para quem deseja desenvolver sua cidadania ou estudar para o tema de concurso, “História dos negros no Brasil: luta antirracista, conquistas legais e desafios atuais”, aposto um almoço que vai cair na prova. Escrevi sobre nossa demografia utilizando os dados recentes do IBGE na véspera de Natal. Numa entrevista que recomendo com Capitão Guimarães – a memória viva não deixa escapar que no passado, o tema da escravidão não apenas circulou, como ganhou carnavais. Com absoluta propriedade e razão, ele sabe, esse movimento não começou ontem.

Está claro para mim que no ano de 2024 a novidade foi o livro, a literatura. Esse caminho reduz alguns riscos e apresenta certas vantagens. Mas também não começou ontem. Leandro Gomes de Barros e a Literatura de Cordel, cujo tema é a Cigana, acompanha a solução genial de pioneiros desse uso, dos quais cito Louzada que utilizou por ao menos duas vezes: As Mil e Uma Noites com Aladim e Miguel Cervantes com Dom Quixote. A seguir, aquela recente sacada literária, a insuperável Viradouro com a carta sobre tempos de doença que virou samba. Essas inaugurações dão acesso superficial, a ser aprofundado pelas e nas ESCOLAS.

Coube a Antônio Pitanga em entrevista no Estúdio Globeleza dizer que na noite do desfile da Portela, “O LIVRO FOI ESCRITO NO CHÃO DA SAPUCAÍ”. E de fato foi, mas não apenas esse livro a desfilar na comemoração de 40 anos do Sambódromo.

Miscigenação. Não custa lembrar, na acepção geográfica clássica, um continente não é um país. Nesse sentido o Brasil é uma exceção, pois é considerado por nós e nossos vizinhos como um “país continental”. Para além do ufanismo, é certo afirmar sobre a diáspora realizada pela escravização em massa de africanos. Muita coisa decorre daí. Ano passado fiz uma oficina de dança afro-brasileira, onde fui esclarecido sobre a distinção entre esse estilo e sua ancestral, a dança afro propriamente dita. Sutilezas e distinções necessárias a construção sem exageros da identidade do nosso país.

Me parece inevitável, já que os Estúdios de Hollywood fazem isso desde os primórdios. O gênio Walt Disney rodava o mundo em busca de direitos autorais de obras literárias como Pinóquio, Mary Poppins. A moda chegou pra valer na Sapucaí de 2024. Os livros vão servindo de base para as Escolas, que nesse caso levam o adjetivo de Samba, mas que são antes de tudo escolas. É certo que NÃO EXISTE ESCOLA SEM LIVRO.

O enredo se repetiu, também com o Salgueiro, que desfilou com uma história extraída do Meu Destino é Ser Onça, do escritor Alberto Mussa. Livro onde lá estão eles, os esmagados, exterminados, os índios. Nesse caso não houve a necessidade da diáspora, foi genocídio mesmo. Não há clamor que se orgulhe pelo continente do desterro ou diáspora. Os índios e as onças desapareceram do mapa do Brasil, junto com a Zona da Mata, no Rio e São Paulo. O movimento segue devorando o equivalente a 250 campos de futebol por dia, na região amazônica, impactando diretamente o agronegócio e toda a vida interdependente do país.

Três das seis escolas no Desfile das Campeãs utilizaram livros como base para realizar seus desfiles. A opção pelo escritor cordelista Leandro Gomes de Barros, em sua obra O Testamento da Cigana Esmeralda, confirma o desejo do carnavalesco Leandro Vieira por levar obras literárias brasileiras adaptadas para a Avenida. É bastante provável que o livro de Nelson Motta “De cu pra lua: Dramas, comédias e mistérios de um rapaz de sorte“, tenha sido reapropriado pela fantasia transformada em enredo por um dos mais talentosos dessa nova geração de carnavalescos.

Não tem saída, Hollywood será parceira dos filmes que advirão, a partir da compra dos direitos.
Começaria pela Onça.

A INVENÇÃO DE NOVOS PLANETAS E A ARTE

Eis aí a suposta fusão entre dois planetas reais, a Terra e Vênus. Foi o que Gemini produziu a partir do meu pedido em inglês. Estamos desenvolvendo uma atividade de fronteira, na qual a existência de um planeta errático, imprevisível, sem órbita calculável e destino deu lugar a criatividade. O BYLUCA’S PLANET é esse lugar, a ser colonizado, aberto a presença de criativos. Tem evoluído, em meio a uma enormidade de contra-correntes que se opõe ao exercício artístico. Nem sempre as  tentativas tem ou exigem nexo causal, é mais provável que se aproximem do caos e das experimentações.

Pedi ao Gemini pra desenhar uma lua. Ele desenhou. Seu sistema de busca não produziu algo melhor que as fotografias até aqui realizadas por exímios apreciadores dessa que foi tema no enredo da Onça da Grande Rio e da Cigana da Imperatriz. Deixou a desejar, milhões de anos-luz.

A visualidade abstrata desse lugar nunca existiu, disforme que é.
Não obstante, com o advento de recursos computacionais que relacionam semântica a desenhos, aproveitei o lançamento da última versão do Gemini 1.5 para avaliar o que a Inteligência Artificial lançada esse mês poderia fabricar. Comecei pelo óbvio, pedi que desenhasse a lua, foi satisfatório, nada demais. O software deve ter extraído imagens de lugares na internet e dado seu toque pessoal, se livrando do pagamento de direitos autorais. É pra isso que serve, de imediato.

Dei mais um passo, após a perda de esperanças que me foi informada, a partir de dados de uma das luas de Saturno que  reduz a probabilidade de vida nas proximidades da Terra, extrapolei e decidi fazer um PLANETA REMIX, com a ajuda do Gemini.
Pedi que desenhasse um planeta que fosse a mistura da Terra com Vênus. O resultado de uma primeira rodada foi esse da imagem abaixo. Poderia passar o dia inteiro regerando e resolicitando a criação, até chegar a algo que me satisfizesse um pouco mais, do ponto de vista estético. Posso também tornar mais complexa minha solicitação, do ponto de vista semântico, baseando-me em conhecimento estruturado ou alguma correlação esdrúxula.

Um pouquinho mais de tempo dedicado a pesquisa e mais descobertas, a maioria sobre limitações que não encontrei quando comprei os direitos de geração infinita de modelos para publicação de conteúdos em sites, de uma empresa que faliu, sem cumprir todas as promessas que me fez. É comum, não foi a primeira da minha vida, não será a última. Vamos as limitações.

Por questões ligadas a suposta ética das ferramentas, solicitações envolvendo desenhos que misturem seres humanos com bichos não são aceitos pela ferramenta do Google. Então, algo simples como um ser mitológico, tipo sagitário não rola. Tentei outras vias, misturar cachorro com gato? Resultado pobre. Quem sabe um tubarão-golfinho? Não chegou nem perto. Apelei para uma família mais próxima, baleia com golfinho, com o intuito de dar um presente de aniversário a um amigo nesse final de semana. Resultado pífio.

Pensei comigo, se nem essa história de juntar duas partes para montar algo a partir de partes existentes, o estágio atual dos aplicativos de Inteligência Artificial estão fazendo, quem sabe se aumentando a complexidade semântica eles não se tornam mais “criativos”? Apelei para alguns estilos da História da Arte, conjugados as frases. Tipo, Terra e Marte em estilo surrealista. Que decepção, quanta pobreza. Deve ser minha altura do sarrafo, grau de exigência, pelo conhecimento acumulado pela visualização de obras de arte astronômicas produzidas pela NASA.

Mergulhei então em peças de maior picardia e sacanagens. Pedi a Mona Lisa de Leonardo da Vinci com barba e cabelo vermelho. Ficou tão convencional, mas tão convencional que deu até raiva. É óbvio que as versões pagas dessas ferramentas devem oferecer maior potência de processamento. Sobre as estratégias das 7 empresas na ponta dessa corrida espacial, é certo que a NVIDIA representa a valorização na ordem de seis vezes no último ano, mas o mercado já enxerga um urso por perto, valores inflados que deverão explodir a qualquer momento. Bolhas que vem, bolhas que vão. Espere pra comprar quando os valores caírem, é o que dizem os acostumados com a montanha russa. Arme seu jogo. A disputa setorial entre o modelo Google, baseado em Large Language Model e a nova alternativa, baseada na abordagem Cloud Computing promete marcar época.

Volto aos assuntos práticos da última madrugada e sinto que vai demorar para que me desprenda das folhas e canetas que me dão tanta liberdade de expressão. Pelo que vi até aqui, parece que essas camadas inteligentes vão incorporar muita censura e noções de politicamente correto naquilo que as máquinas poderão criar. Foi o que senti, apesar das notícias de produções montadas com rostos de adolescentes em corpos libidinosos por estudantes atualmente acusados de crime, nas escolas do Rio de Janeiro.

É infinito.

A GUITARRA HOFNER DE PAUL

Em 1961 a febre na música internacional só tinha um nome. A banda Beatles dominou todas as atenções com um quarteto musical fantástico, objeto dos mais variados desejos. O melhor documentário sobre os 250 shows da banda, entre 1961 e 1966 ainda pode ser visto em streaming, “Eight Days a Week“. Anos mais tarde, num pequeno descuido, Paul McCartney teve seu baixo Hofner roubado, justamente em Noting Hill, lugar demarcado de forma poética, pela cinematografia da inexistência.

É que um dia dirão, assim como dizem de Jesus, que os Beatles nunca existiram. De que importará no futuro, saber se existiram ou não? Para que servirão as provas, Santo Sudário ou Guitarra? É certo que o legado vive pela crença daqueles que seguirão. E nada será como já foi, nada se repetirá como antes, anacronismos, atávicos e ancestralidades, perdoem a heresia, segue o novo.

A grande maioria dos amantes da música já davam como certo a perda definitiva do instrumento. Mas um grupo de caçadores perdigueiros não desistiu. Cinquenta anos depois, o instrumento reencontra seu dono. Receberá reparos, cuidados nas cordas, na madeira desfolhada, voltará a ter vida, nesse belo formato de violino.
É curioso que o interesse e a oportunidade tenham me colocado frente a frente com o livro Guitar Bible, onde aprendi muito sobre a história das guitarras e seus artistas destacados. O livro magistral vinha acompanhado de um DVD, para alguns estudos práticos, que pouco usei, na época não tinha guitarra. O livro emprestado ao amigo e compositor Paulo Cezar Desi, e nunca mais voltou as minhas mãos, ficou como legado a música de Teresópolis, ainda está na lista dos que recomprarei em algum sebo, qualquer dia desses.

Bem antes do livro porém, minha primeira aventura nesse lugar eletrônico foi na compra de uma guitarra para meu irmão, que na época desejava muito aprender a tocar. Um garoto autodidata que aprendia tudo que lhe era ensinado, de entomologia a astrofísica, fazendo sua mãe sofrer enquanto aprendia. A guitarra veio de boa leva, havia sido do Celso Blues Boy, que era vizinho em Santa Tereza do irmão de alma, Paulo Maurício, outro gênio, que comprara a guitarra para a filha Bruninha que todo ano mudava de interesse, testando habilidades. Passou do surf pra guitarra, designer e hoje é fotógrafa da AFP. Foi Paulo que me vendeu a primeira guitarra que dei a seu xará, Maurício e dali em diante, foi só integrar um 3 em 1 Gradiente Polivox e ver o garoto voar, solando todos os clássicos. Me faz feliz até hoje ter sido instrumento facilitador dessa aventura bem sucedida.

Gosto das paradas que levam ao sucesso e a potência de cada um.
E foi por isso que em 2009 comprei o último lançamento do Wii Beatles Rock Band, numa viagem de Natal para Londres. Com a ajuda de dois amigos, conseguimos transportar tudo desmontado nas malas, incluindo ainda um skate acoplável, a bateria e, claro, uma réplica eletrônica para games dessa guitarra Hofner, que foi usada como tratamento com meu pai que teve Alzheimer.

Andou passeando por várias casas, teve seu valor oscilando entre  altos e baixos, pois tudo depende da vocação e do incentivo para uso dos envolvidos. Seu último paradeiro é Paraty, nas mãos de mais um jovem prodígio, o Theo, que até começou a usar, mas por falta de uma interface para as novas tv’s e a chegada de um novo game de última geração tornou a concorrência desleal. Pode ser que um dia ele descubra o valor dos Beatles, e até seja informado sobre a vinda do Paul McCartney ao show do Maracanã neste ano, sem a mística guitarra, mas transcendente com a ressurreição de John, assinando do túmulo seu último sucesso, Now and Then, ao lado dos amigos da banda de Liverpool.
Na sala de cinema, essa semana, a pedido de uma das crianças donas desse legado, no filme “Argylle o Superespião”, que recomendo, a surpresa: a trilha dispara na primeira música Dua Lipa na cena e Now and Then. Deve ser fruto do acaso esse caminho tortuoso que promove encontros, desencontros, prejuízos e perdições.

Se tiver sensibilidade, acredite, tudo é lucro.

À ESPERA DE UM MILAGRE

O filme “À Espera de Um Milagre (1999)” foi um dos poucos que não assisti no cinema. A carga mística do personagem curandeiro e vítima da (in)justiça, numa acusação decorrente do preconceito racial, frente ao assassinato de duas jovens, cria o apelo dramático para a manifestação do sobrenatural no interior de uma penitenciária. Quem puder assista, onde tem Tom Hanks há um bônus, mesmo se o diretor Frank Darabont não tenha agradado a crítica. O conto de Stephen King pode também ser uma opção aos que preferem ler.

O milagre na Zona Oeste que narrarei, começa na Vila Vintém, mais especificamente na rua Mesquita. Beirando a linha do trem, essa faixa de terra inicialmente pertencente ao Exército, se tornou área de ocupação, pelo baixo valor comercial de suas terras. Era o caminho mais rápido para a Estação de trem, escolhida pelo vovô, nos tempos de portas abertas pra refrescar, seguindo de terno até o Ministério da Agricultura. Creio que o ateísmo é uma forma de religião. Na natureza existe a matéria e a anti-matéria, num jogo dialético e de infinitas possibilidades. Nem todos acreditam em milagres, mas os moradores desse lugar aprenderam a sonhar, sem água, luz e saneamento básico. Pode ser que o sonho seja a semente de alguns milagres, fruto de uma conversa subconsciente com um ente divino.

No terreno ao lado da quadra da Escola de Samba, a irmã de minha avó Maria das Dores, a Glória, conhecida como Goinha. Visitava sua casa e aos finais de semana, aquele batuque que não parava, que aos ouvidos de alguém com cinco a seis anos de idade, parece ser muito mais alto do que para um adulto.

De orientação evangélica, frequentadora assídua de uma modesta igreja na franja da Vila Vintém, Goinha não só acreditava em milagres, mas se dedicou a prática da fé por alguns. Acabei sendo beneficiário direto de sua fé. Quando internado em fase terminal com hepatite infecciosa aos 13 anos de idade, era ela quem me levava água benta e chá de picão para o hospital onde ficavam internados todos os pacientes contaminados por uma doença de altamente contagiosa. Do outro lado desse tratamento, a mesa de Cosme Damião, com seus suspiros, aliados da geléia de mocotó colombo, gelatina e goiabada peixe. A fé em seu espectro sincretista, aliada a um bom meio de campo da medicina foram então o “milagre” que me salvou da morte precoce, no Jardim América, onde muitos outros não tiveram a mesma sorte.

Certa vez na vida, decidi explicar matematicamente o significado da palavra milagre. Resumindo, milagre é um acontecimento de probabilidade igual ou quase igual a zero. Era muito provável que eu morresse naquele hospital? O mais amarelo dos pacientes, cujo o apelido era canarinho, estava entre os candidatos a embarcar pra debaixo de sete palmos. Foram as forças conjugadas de muitas vertentes e vetores que, aliadas a uma disciplina rígida que me salvaram daquela. Não sem antes ganhar 10 kilos em 30 dias, passar 6 meses após a alta sob restrições a alimentos não benéficos ao fígado e um ano sem poder fazer qualquer tipo de atividade física. Para um garoto que jogava 6 horas de futebol e volei por dia, foi equivalente a morte de um pedaço da minha natureza. O sonho de jogar naquele ano pelo melhor time de Sobradinho, ao voltar do Rio para Brasília, foi por água abaixo. A camisa vermelha e branca, para a qual eu já havia sido pré-selecionado, evaporou-se, e com ela um sonho.

Décadas mais tarde, reencontro a Unidos de Padre Miguel na Sapucaí. Foi um carnaval impecável, conduzido por um ex-funcionário da Fábrica de Tecidos Bangu, onde foi entrevistado, numa mesa de Botequim, agora Shopping Bangu. Ninguém tinha respostas claras para as razões que levaram a agremiação a perder a disputa. Talvez o regulamento, ainda defasado de quesitos da dimensão intangível. Aliás, isso vem acontecendo cada vez mais em competições, métricas em lugar dos elementos qualitativos. Uma excelente exceção merece ser citada, especialmente para os pequenos aprendizes, um pouco obcecados pelos cronômetros e milímetros. É que nem sempre o tamanho define o alcance do prazer, do êxtase, do gozo. Outra hora explico melhor, mas foi a patinação artística no gelo que resgatou a beleza e graciosidade dos movimentos, em detrimento ao número de piruetas ou giros sobre o próprio corpo, como item a ser usado pelo júri.

Todo regulamento é passível de mudança, seja numa pista de gelo de uma Olimpíada de Inverno, seja na Passarela do Samba. E nesse caso não é preciso apelar para milagres, mas apenas para os que tomam decisões sobre o tema. Não se iludam com a falsa ideia de que o mundo do samba é conservador, é mentira. Já vimos uma penca de mudanças nesta última década, algumas inclusive envolvendo viradas de mesa, incluso a última tentativa desse ano de 2024.

A UPM estava afinal esperando um milagre?  Pela definição adotada aqui, evidentemente que não. Ser campeã era muito mais provável, pelo número de vezes em que apareceu de forma consistente, pelo menos nos últimos cinco anos em vias de levantar o caneco. O samba se tornou uma espécie de profecia que se auto-cumpre, como se numa espécie de acordo coletivo as forças sagradas. A ver, “meu boi vermelho, o milagreiro vem, traz o milagre pra Vila Vintém, de toda maneira na quarta-feira, que os anjos digam amém“, dá a confiança para que a comunidade exija o resultado positivo de sua luta e de seu longo trabalho, tantas e tantas vezes menosprezado.

Não por acaso, obras de saneamento e asfalto liso vão chegando pouco a pouco nesse lugar onde a memória, os batuques e os louvores se misturam.

 

40 ANOS DE SAMBÓDROMO: ENTRE A CEGUEIRA E O INVISÍVEL

“Será como a geral do Maracanã”, disse Oscar Niemeyer ao jornalista. O que ele não poderia adivinhar é que um grupo de marginais, infiltrados em assuntos de Patrimônio da Humanidade, iriam destruir por completo o Maracanã, extinguir a geral, e mais tardiamente deformar os propósitos do projeto original do Sambódromo.

Ao assistir exaustivamente o que se fala sobre o carnaval carioca e suas Escolas do Grupo Especial, superpotências da maior exibição a céu aberto do mundo, percebo que nem o terceiro olho do Rampa, as cartas mediúnicas de Chico, a leitura do destino da cigana, tarot ou búzios, seriam capazes de revelar porque o trio Oscar, Darcy e Brizola não foram objeto de alguma homenagem por parte dos que escolhem como eixo temático esse gênero de enredo. Afinal, quarenta anos não são dois mil anos, dando a certeza da memória curta dos participantes. Talvez não seja conveniente lembrar que existe uma antes e um depois da construção do Sambódromo. Como deixar passar as falcatruas e precariedades das empresas que faturavam tubos de dinheiro, montando e desmontando arquibancadas com andaimes, um verdadeiro cartel mamando ano após ano nas tetas do estado.

Foi um ato político de talento inigualável que mudou da água para o vinho o patamar do desfile das Escolas de Samba no Rio de Janeiro. Quem estava lá sabe, contrariando inclusive a limitação de visão dos realizadores do espetáculo. Nesse sentido, a atuação do Estado se comprovou mais do que pertinente, em todos os aspectos. A repotencialização do espetáculo e sua industrialização gerou um produto audiovisual com condições de competitividade com Las Vegas, que acaba de receber investimentos da ordem de 2 bilhões de dólares em um estádio, unificando esportes aos seus outros entretenimentos. Nossa cegueira se confunde com má fé.

Digo isso frente aos novos fatos atuais, que trocaram a busca por competitividade dos arrecadadores eleitos por beijinhos em bandeiras de todas as cores, na passarela, em busca de votos, ao invés de estarem realizando novos investimentos no aproveitamento periférico do potencial da cidade. É que a carta psicografada pelo mensageiro espírita foi trocada pela recomendação do marketeiro sobre a opinião pública desinformada, embora haja farto material para pesquisa investigativa sobre as polêmicas que envolveram a criação do Sambódromo. Só posso recomendar que estudem cada vez mais e mais profundamente, para não serem substituídos por máquinas de AI.

A regulamentação e o regulamento para critérios de avaliação do desfile devem ser radicalmente mudados, isso é pra ontem, e é dever do Estado incentivar essa mudança, disruptiva, inovadora, que atualize o velho Sambódromo. Não sairá da cabeça dos carnavalescos ou das mãos dos ritmistas certas mudanças. Não é a praia deles, estão em outra dimensão, tem outros compromissos.

O trio Darcy-Leonel-Oscar, não tem páreo nessa geração, apagada de volúpia e acomodada na herança polpuda que lhes foi entregue. Um upgrade que não pode ser omitido, a Cidade do Samba, representou uma melhoria significativa na capacidade de produção dos barracões de tempos românticos. Uma ação do Prefeito que de maluquinho não tinha nada, trouxe alguma urbanidade aos produtores e elevou a altura do sarrafo, mas também acentuou o abismo entre os que produzem precariamente no meio da rua ou embaixo do viaduto. Pode ser diferente? Há certas coisas que exigem abstração, o campo do invisível é uma delas.

No campo do produto audiovisual, começamos a arranhar timidamente a evolução da linguagem dos estúdios de TV, para ter acesdo aos dispositivos elementares ao cinema e teatro. Uns dez anos atrás, comparava com o artista plástico, cenógrafo Byluca’s ao nível dos shows do Rock in Rio lá em 2015 – como os da Katy Perry – e o que acontecia na Sapucaí. A pobreza estética era decorrência da luz pra TV, exigência de um produto de exclusividade para a Rede Globo. Após 40 anos, finalmente a luz e a sombra foram experimentados com lampejos de rendimento. Observamos a diferença brutal, algumas escolas não usaram o recurso e ficaram para trás nesse quesito, que, pasmem, não será julgado, muito menos comentado. Esse produto deve ser de todos os realizadores de conteúdo do Brasil. Cada um com a sua competitividade e visão específica. Assunto a ser revisto nos contratos.

A verdade é que não temos profissionais treinados para o invisível, o que está acontecendo diante dos olhos, que não enxergam, tal qual o livro de Saramago, O Ensaio sobre a Cegueira. Dá outro enredo, outro regulamento, até os operadores de câmeras despreparados pra ajustes de white balance – ajuste do branco que deixou várias imagens lavadas, operador devia estar no automatico ou dormindo – comeram moscas. Outro que arrisca perder o emprego pra câmeras AI automatizadas…

Por outro lado, no mundo do aquecimento global e sustentabilidade, não basta desfilar dando aula sobre índio e antiracismo pro mundo enquanto 500 pessoas são atendidas em sua maioria por desidratação no calor de 50 graus. Não morreu ninguém por milagre. Justo no terreiro onde Oscar e Darcy juraram defender a humanização e o aspecto multifuncional do Equipamento, para arte, cultura e lazer não apenas nos dias dos desfiles, na época com 16 mil vagas escolares. Foda é olhar para o que acontece 40 anos depois e despertar para a regressão nos valores e princípios que regeram sua criação como espaço público. É como se o Rei Momo ficasse nu. Não dá.

É preciso acelerar a curva de mudanças do invisível, aproveitando o conjunto dessa bela obra, que exige mais pelo que entrega como uma árvore centenária que nada pede em troca. No mínimo veículos elétricos na Marquês. Nessa quarta-feira, chegamos as cinzas, é hora da Fênix renascer.

NOVA VISÃO COMPUTACIONAL E SUAS OPORTUNIDADES

Lembro-me de quando a Apple lançou o Newton. Fiquei fascinado pela possibilidade de reconhecimento de escrita pela tela do aparelho, com o uso de uma caneta. O aparelho nunca decolou, mas foi precursor das novidades que dominariam o mercado, a começar pelos aparelhos no formato Palm, os avós dos atuais smartphones e do próprio iPhone.

Em poucas horas, a Apple lançará mais um de seus novos equipamentos. O Apple Vision Pro, promete ser o “Computador Espacial”, não no sentido astronômico, mas do uso do espaço tridimensional do seu campo de visão, para projetar imagens produzidas no interior do computador, em sua sala de estar, ou num escritório. A ambição de substituir teclados e mouse por gestos e voz é também uma revolução nas tradicionais interfaces.

Em novembro do ano passado, dediquei prioritariamente os 30 dias a estudar o equipamento e as oportunidades de negócios para desenvolvedores. Elas são infinitas. Do ponto de vista mercadológico, é um verdadeiro oceano azul. Os cursos para desenvolvedores eram gratuitos, aconteceram em horários distribuídos em cidades estratégicas para a Apple, tais como NY, Sidney, Tóquio, São Paulo e outras. Naveguei por fusos de horas e idiomas quase intransponíveis, tais como Mandarim e Japonês. A Apple não disponibilizou os vídeos gravados, portanto quem viu pode se considerar um privilegiado. Abaixo, deixo um exemplo de slide das video-conferências, só pra dar uma ideia do que foi apresentado.

Escolhi o conceito de gestos feitos no ar, que comandam o uso do de algumas funções do aparelho. Há uma centena de outras informações, que por razões contratuais, não poderei publicar. Nada que um desenvolvedor interessado numa iniciativa de ponta, não possa encontrar em breve em algum lugar. Numa etapa das atividades, a empresa se mostrou interessada em ideias práticas para uso em projetos com o novo equipamento, e os ganhadores receberiam o equipamento em regime de consignação, para o desenvolvimento da iniciativa. Não custa dizer que seu preço é bastante elevado, não segue a lógica que comandou o lançamento do iPhone, por exemplo.

No caso de seu uso no Brasil, vejo alguns inconvenientes. O calor em certas regiões e épocas com um equipamento pesado em torno do rosto é algo que me retiraria muito conforto. Nem óculos de grau feito com a leveza do carbono me agrada, imagine aquela máquina sendo carregada pelo seu pescoço. É pra uso em tempos curtos. Outra coisa, se quiser assistir um filme convencional, esquece. A bateria é externa e bastante limitada.

Com essas mínimas dicas, vamos ver como essa novidade será recebida hoje. Devo atualizar a matéria e inserir os links que fico devendo. É véspera de carnaval.

 

 

 

CONFESSO QUE COMI

Confesso que comi. Mas peraí, não se trata de nada parecido com as conversas de botequim, politicamente incorretas, daquela garotada da Zona Sul que adora contar vantagens sobre suas proezas sexuais para os amigos. O exibicionismo de uma conquista pode ser mais poderoso que a comida em si. Nesse sentido, o filme “E AÍ, COMEU?” é um poço de contradições, incabíveis nas comédias da atualidade, que aliás deixaram de ter graça pra uma geração “desgraçada” pelos filtros e auto-censuras. Acabam bebendo do próprio veneno, implodidos em depressões e ansiedades sem remédio.

Foi o poeta Pablo Neruda que escreveu, “Confesso que Vivi“, uma espécie de auto-biografia desse que foi amigo do Presidente Salvador Allende, morto no Chile na etapa anterior a instauração da sangrenta Ditadura de Pinochet. Não temos ideia de quão hedionda ela foi, visto de fora é até impróprio se pronunciar. Foi desse livro que extraí a analogia do título “Confesso que Comi”, não para falar de uma perspectiva envolvendo culpas, pecados, arrependimentos. Deixo isso para os mascarados e mascaradas, para o falso moralismo, para as farsas instaladas como mundo perfeito.

Como cantou Ney Matogrosso, “não existe pecado do lado de baixo do Equador“. Quanto a quem eu comi, ou não, lamento, vida privada, sem Revista Caras, Edredom, Hugo Gloss ou Interrogatório com Tortura Medieval. Fica combinado, quando eu declarar algo sobre isso, é porque fui submetido a dizer e assinar qualquer declaração, eventualmente lobotomizado. Amores existem para serem vividos, comentar demanda tempo que prefiro dedicar as práticas. Portanto, meu confessionário é outro.

Voltando de um dos últimos ensaios de quadra da Portela, tendo pegado chuva, me veio a mente a Batata Frita de Marechal Hermes. Faz mais de duas décadas, o lugar era conhecido pelo “Cachorro Quente de Marechal”. Fim de noite, era certo uma resenha com essa iguaria do subúrbio, de passagem. O melhor do gênero, do mundo, foi substituído pela Batata Frita. Das vezes que passava beirando a Estação de Trem, me causava um espanto ver as filas quilométricas pela calçada. Já bem tarde, frio, meio de semana, tempo ruim que carioca não gosta, enfim minha chance.

Lá fui eu, iniciado a preços e opções que nunca imaginei. E olha que estive em Lima, numa lanchonete onde é obrigatório se falar “La Papa”, pois o Peru é o país de origem dessa espécie que salvou da fome a Europa e se espalhou pelo mundo inteiro. Mas o que acontece em Marechal Hermes ultrapassa qualquer limite de razoabilidade. Se fosse utilizado o mesmo modelo para as ações do Fome Zero, o assunto já estaria resolvido. Na aplicação dos modelo de negócio da Batata de Marechal há mistérios que o poder público e sua retórica não tem como alcançar. Em lugar das migalhas de reajuste de salário mínimo, chamadas vexaminosamente de aumento – com a picardia de ainda cobrar de quem ganha dois salários o Imposto de Renda – a aplicação de generosas pás de batata e outros elementos que enriquecem o prato. Marechal Hermes é outro mundo.

O bairro já começou dando um banho no projeto defasado e mequetrefe do Minha Casa, Minha Vida. Mais de um século antes, o 1o projeto de habitação popular, que funda o bairro, tira onda, com casas numa área com população humilde morando como se fora nas mansões do Alto da Boa Vista. Ali havia uma ambição latente, por um país de elevados padrões para sua população em geral, que lamentavelmente vemos sucumbir, decaindo para equiparar-se a pobreza reinante dos nossos vizinhos. É preciso assumir, somos ricos, ricos como a Batata de Marechal Hermes.

A fórmula cai no gosto popular por razões simples, você paga três vezes menos e come três vezes mais. Não dá pra acreditar, só indo lá e vendo de forma constrangedora, como as franquias de alimentos nas praças de alimentação dos Shoppings não tem a menor capacidade de competir. É como comparar uma rede de Atacarejo a outra de Supermercados. Esquece, a distância é abissal.

Pergunto eu a você: vai comer quando?

O ROUBO DOS ANÉIS DE SATURNO NA ERA DE AQUÁRIO

  • Foi Rita Lee que cantou, em “Desculpe o Auê“, quando viveu seu momento barraco. É que tudo tem limite, e ser conivente com o roubo dos anéis de Saturno não está nos planos, ainda mais na Era de Aquário.

Os anéis de Saturno roubados em 2025? É o que nos dizem os jornais que consultaram centros de astronomia. Por ocasião da passagem do planeta Halley em 1985 tive o privilégio de ver os anéis de Saturno, graças a um telescópio inglês do cientista e amigo Robert M. Boddey. Após todo esse tempo, nada de anéis para Saturno em 2025, graças a uma ilusão de ótica provocada pelo Equinócio desse planeta. Alinhamentos, calendários, cálculos. Desses que permitiam o telescópio que usei se mover acompanhando com precisão, o movimento aparente do céu. Não precisávamos reposicionar as lentes em direção ao Saturno e seus anéis.

Fantástico, extraordinário. Imagine-se no primeiro mês do ano de 2024. E nesse mês, alguém aleatoriamente ao seu lado, comenta que está celebrando seus 24 anos. Foge aos padrões atuais de um facebook te notificando sobre o aniversário de alguém, nem tão amigo assim. Mais cabalístico ainda é saber que estamos no dia 24. Há coisas nessa vida que nunca conseguiremos explicar. Quisera eu jogar no Cassino essa casa e ganhar. É preta, a casa desse número.

Mas esse fato está muito além do ganho em dinheiro, ele é da ordem da singularidade. Na roleta, certas coisas se repetem. Já o que vivemos, são experiências únicas. Fui testemunha ocular desse acontecimento, que entrou para sempre na roda zodiacal de minha vida. A acumulação de conhecimento na espécie humana aconteceu com o uso de diversos estágios de desenvolvimento das linguagens. A explicação dos fenômenos naturais na Terra a partir de ocorrências na abóboda celeste, uma dessas etapas. E a astrologia, uma outra. É meio que o fundo da caneca com pó de café. Difícil acreditar, mas são os primórdios.

Não pude, como no dia da celebração do Santo Padroeiro, usar fogos de artifícios do tipo visuais. Por meio de mímicas, só vistas no interior de minha tola imaginação, procurei traduzir toda minha alegria por fazer parte dessa celebração. Acreditem ou não, sonhei em presentear com um tênis, que é meu símbolo de bem estar para 2024. O inacreditável pode se materializar, sem que você precise mover um dedo. Alguns chamam isso de Lei da Atração. A mentalização antecede os atos conscientes.

A vida é feita de sincronismos. Para enxergá-los, um pouco de matemática, intuição, observação e anotação precisa de dados pode ajudar. Aviso aos navegantes, de março a novembro de 2025, ninguém verá os anéis de Saturno. Foram roubados da Divindade Lilás da Era de Aquário. Então aproveitem para contemplar nesse 2024.

AS ESCOLAS E SEUS SAMBAS

Finalmente, pude ouvir com a tranquilidade necessária os Sambas das Escolas do Grupo Especial de 2024. Passarei essa noite ouvindo de forma aleatória essa trilha sonora consolidada, manto da tradição. Temos elementos temáticos recorrentes, tais como as homenagens. Nunca foram poucas, funcionam. Num piscar de olhos, me lembro de Roberto Carlos, Ivete Sangalo e o mais recente sucesso, pré-pandemia em 2020 – minha última ida ao Sambódromo – a homenagem a Elza Soares. A última foi forte, levantou a arquibancada com o refrão “Laroyê e Mojubá, liberdade / Abre os caminhos pra Elza passar /Salve a mocidade…”. Mulher forte, assumidamente “flor que não se cheira”, a Mangueira aposta nessa linha, e Alcione representa a base do samba que jamais se apagará.

A palavra que me guia pede que preste atenção, nesse caso a duas: escola e samba. A primeira trata de um lugar onde se aprende, a segunda cuida de definir o que se aprende, no caso música e dança. Sem isso as Escolas de Samba estariam condenadas ao fracasso. É admirável o que se construiu, quem disser que não, passo. É porque já ouvi muita besteira sobre o assunto, algumas fazem parte até de documentários disponíveis em plataformas de streaming. Abordagens sem qualquer fundamentação semântica ou cultural, apenas centradas em fatos que apelam para aspectos de maior audiência. Há uma superficialidade que dá lucro.

Não tem jeito, o resgate da simplicidade associada a uma fruta que dá sem dificuldades no Nordeste, o Caju. Emplacou na boca do povo, que vai bebendo o suco e comendo a castanha. Conta com a leveza e alegria, dispensada em diversas composições. Querendo ou não, mistura o que temos de tropical, sem maiores fundamentações, aplica sem dó a noção de que o povão que vai aos ensaios de rua – e dificilmente estará nas arquibancadas e camarotes – é a cara do Brasil, enquanto uma outra parte deste assistia o BBB. Há uma parte da população que ainda frequenta as ruas. Não tem jeito, não há como esquecer, o dedo de Fernando Pinto, o toque particular de um sênior como Paulinho Mocidade, na extensa lista de compositores dessa obra. Não se compara a Sonhar Não Custa Nada, mas tem atualidade. Ouso dizer, enfim Paulinho, cujo sobrenome é Mocidade, lugar de onde nunca deveria ter saído, coisas do mundo do samba. Levantou, sacudiu a poeira e deu a volta por cima. Afinal, não é possível que o Diretor Marcelo Gulart tenha feito um documentário e profunda pesquisa sobre esse gênero musical e terminado o 1o episódio com esse versátil artista e a Mocidade continuasse sem esse que considero a principal celebridade viva da Escola. O passado pode ser inspirador.

Já a Imperatriz, tem um samba cujo rendimento projeta vitória. Vi o potencial, arrumado para a sorte e prosperidade. Foi inevitável, lembrei, pelo título da música, do livro de Nelson Motta, De Cu Pra Lua: Dramas, comédias e mistérios de um rapaz de sorte. Sou de opinião que a leitura enriquece compositores e carnavalescos a produzir carnavais de mais densidade, ainda que homeopáticos para quem assiste o desfile.

A Portela com a auto-afirmação da mensagem da cor de pele e da origem na favela traz muito Axé, associei a letra “andar tranquilamente na favela onde eu nasci”, de Claudinho e Bochecha. A menção as origens de Angola dá profundidade, refrões bons de cantar. Há um destaque a essa presença em outras obras desse ano.

Sou suspeito para falar do samba que remete a um nobre etíope, instalado em Maceió. Os caminhos da Beija-flor são profundos, trazem uma marca própria da escola, não importa o tema. Mas foi na quadra da Portela que ouvi o samba Glória ao Almirante Negro, e a conexão com João Bosco se fez. Ouvi com atenção que documentos históricos, tal qual feito pela carta da Viradouro que deu pano pra manga de tão criativa, se espalhou como novidade. Há acontecimentos que são tão significativos que acabam se constituindo em novos padrões.

O que vivemos se mistura ao que ouvimos. Como poderia imaginar que essa mesma Maceió que habitou as 1as páginas dos jornais, por conta de um desastre ecológico encoberto por anos da população de Alagoas, na extração de Sal-gema.

Cada Escola de Samba, tal qual um filme de Hollywood, traz em seu desfile uma narrativa enriquecida por música, hoje dirigida pelo equivalente a um diretor de cinema. A narrativa é do carnavalesco, que colherá o sucesso ou fracasso de bilheteria, por ocasião da apuração das notas. A soma de todas as histórias, de algum modo se consolidam em parte da identidade nacional. Não por acaso, o IBGE, que cuida das informações sobre a nossa cara e mazelas, nesse momento concursando profissionais para seus estudos, após cinquenta anos e por exigência da população, passa a explicitar em sua nomenclatura a favela como um lugar que existe oficialmente. Creio que Claudinho, Bochecha e a Portela saíram na vanguarda nessa questão e contribuíram para que parte da população vitima de forte discriminação e preconceito possa se olhar no espelho das Instituições do Brasil.

 

 

 

SEM DADOS OU TEMPO A PERDER

A Inteligência Artificial está na pauta das reuniões em Davos. Chegamos ao ponto de enviar o Presidente do STF para participar dessa roda de especulações. A justiça, minúscula na fronteira tecnológica, tenta pegar o bonde andando. Vai continuar assim.

De onde vem essa certeza? Do grau de ignorância sobre o tema. Lembro do caso conduzido pelo autor da frase “code is law” Lawrence Lessig, processando o monopólio da Microsoft. A tremenda dedicação acadêmica, aliada de uma cultura integrada aos donos dessa onda que as empresas de T.I. trouxeram, dá ao professor de Harvard na época, a autoridade relativa. Ficamos com o Zé Mané, que aliás, em nossa realidade, também decide.

Faria melhor ao Brasil ter nas cadeiras acadêmicas de Direito, profundidade no tema digital. Para isso, treinamento específico é indispensável. Não basta conhecer o CEO da empresa do ChatGPT em um Forum de natureza política.

Em 2015 tive a oportunidade de conhecer de perto algumas das plataformas de nuvem, que vinham sendo oferecidas como opções para Instituições da Colômbia. Lá estavam a Amazon, Microsoft, Google e outras empresas dedicadas a esse mercado. O escritório da empresa de Bill Gates e seu Azure davam mostras de potência, ao lado da solução AWS, oferecida pela empresa de Bezos, que vim a conhecer com mais detalhes, em 2022.

Nesse período de mais de 20 anos, algumas novas camadas foram acrescentadas, incluídas aí a Inteligência Artificial e os Modelos Linguagens Ampliadas que facilitariam o uso por não iniciados nesse matagal semântico que são os códigos de computadores. Essa semana me matriculei em um curso oferecido por uma empresa parceira da Microsoft, a Snowflake. Confesso que não tive o entusiasmo que vejo nos mais novos diante das ofertas de sonhos. Tenho meus motivos.

O primeiro, esses jovens fascinados, estão sendo enganados. A estrutura que lhes é oferecida como base existe faz décadas, mas eles não dominam. São os Bancos de Dados, que costumo chamar de Centros de Cálculo. A manipulação e análise destes está na base da pirâmide do conhecimento prometido. Já passou por modismos, tipo Data Mining, Big Data, Data Science, entre outros nomes dessa coisa que é extrair conclusões a partir da tabulação de dados.

A segunda parte diz respeito a Inteligência Artificial, aplicada aos dados, que pode concluir sobre padrões não perceptíveis por um ser humano, em tempo recorde. Isso sugere o que chamamos de previsão do futuro, graças ao poder de processamento de altíssima velocidade, capaz de entregar a resposta sobre o futuro em alguns segundos. É aquela frase marketeira, de que a Inteligência Artificial aprende em tempo quase real.

Parece fantástico? Não é. Vou problematizar.

Com um mundo dinâmico, complexo, em estado permanente de transformações híbridas, já não temos padrões – se é que um dia tivemos – e ao contrário, lidamos com realidades crescentemente disruptivas. O que me dá garantias de que os dados do passado não ajudam muito a prever o momento atual. A vantagem de uma Base de Dados de décadas pode servir como histórico, mas não vai te ajudar no curto prazo. O exemplo apresentado sobre as bicicletas públicas Citi deixou muito claro essa limitação do método em seu estágio atual. Pessoalmente, não usaria para projetar o futuro.

O outro problema é o tempo da máquina. Há um delay. O pé no freio do computador me faz lembrar as transmissões de partidas ao vivo por meio de satélites. Tá ruim por causa da infraestrutura, já foi pior, mas é ainda bastante instável na nossa realidade. Vamos melhor observando a realidade com nossos próprios olhos.

Se me perguntassem, em que situações não recomendo o uso de Inteligência Artificial com Linguagens Ampliadas para ter respostas? Em todas aquelas em que não existissem dados tão frescos quanto aos últimos acontecimentos – dados antigos e mofados não ajudam a interpretar merda nenhuma, só valor histórico – e que exigissem respostas instantâneas, daquelas em que não temos sequer um segundo para apertar um botão.

Em outras palavras, zerados de dados e na ação instantânea, o que vai prevalecer é a contraditória e eficaz inteligência humana. Usar máquinas nessas circunstâncias é de uma burrice abissal. É que no NADA não há previsibilidade baseada em alguma coisa, muito menos tempo em qualquer medida.

 

MADUREIRA EM DIA DE TRIPLE-X

Eram tempos de DVD e Blockbuster. O Netflix só comia pelas beiradas o mercado americano. Em 2002 o ator Vin Diesel atuou no inesquecível filme Triple-X. Nessa madrugada de sábado dia 13 de janeiro, foi a vez de vivenciar uma experiência extrema, em ritmo alucinante.
O dia começou com uma maravilhosa pedalada de esquenta, rumo a Vila Militar, seguida do treino em andamento para mergulho com amigos pra caçar uns peixinhos em apneia e com arpão em alto mar, com volta no torque do pedal e aquele trânsito da Av. Brasil repleta de carros.
Falo com o Planeta Byluca, que terá sua 4a aparição no Casino Bangu, no Baile do Havaí, pré-carnaval. A direção era o Mercadão de Madureira, decoração definida em torno do amor. A compra de panos, aviamentos já faziam sentir o cheiro da festa em fevereiro.

Não foi nas escadarias da Penha, mas na escada rolante do Mercadão, que encontrei o genial Paulo Varela, fotógrafo dos acontecimentos madureirenses e fã de arte e cultura, que me passou rapidamente atualizações sobre novidades do território e garantiu a troca dos contatos perdidos. Sorriso de criança dando a certeza que a idade passa mas a jovialidade é espírita e algumas histórias impublicáveis, por absoluta falta de tempo. Quem muito vive, pouco conta.

Concluída a 1a Missão em Madureira, ligação pro Ratinho, Leozinho e Marcão. Só consigo falar com o 1o, com quem decido ir a quadra da Portela pro ensaio que normalmente frequentava nas quartas. A partir de meia-noite, me dando a chance de umas 4 horas na atmosfera do bairro. Vi liquidificadores em liquidação, o desaparecimento de purificadores de água gelada, e decidi estrear a ida ao cinema esse ano, mas não sem antes localizar o irmãozinho Leo no Shopping. Não foi difícil, lá estava ele, loja do Flamengo. Fizemos uma foto histórica, pra relembrar dos bons tempos em que íamos ao Maraca juntos. Combinamos o encontro na quadra, lá fui pro cinema, no encaixe.

Já no cinema, a opção por Aquaman 2 não poderia ter sido melhor. Um filmaço, cômico pra ficar leve, mas profundo nos temas, sobre os quais escreverei relativo a família e a civilização das águas. O cinema me proporcionou o 2o X nas 2 horas que foram pra mim quase o pré-desfile da Portela, pela carga de azul e branco na tela. As temáticas envolvendo aquecimento global e os dramas de Shakespeare, disfarçados pelas palhaçadas.

Já saí da sala de exibição vendo tudo azul e branco, inevitável lembrar do Mestre Bombeiro, da sua Tabajara do Samba, e da necessidade urgente de fazer seu documentário, a partir das vozes de sua dinastia na escola, mergulhando de forma mais direta na questão dos fundamentos e regências ancestrais dos terreiros. Os dois documentários que fiz – vinte anos atrás – foram insuficientes para dar conta do tamanho da figura desse que já disse e afirmo, deve ser lembrado como nosso Ludwig Beethoven.

Chego a entrada da Portela, já estou sendo aguardado pelo anfitrião. Ratinho é um dos jovens mais preparados que conheci, e amadureceu preservando a cordialidade, uma marca registrada. Não por acaso, quando concebi o projeto da “bike azul e branco da Portela”, foi a 1a pessoa a saber, resultado de tudo que fizemos em colaboração pela Escola. É que educadores gostam de aprendizado e ensinamentos. Trocas humanas insubstituíveis.

Como em qualquer história de sucesso, a franquia é uma questão óbvia, os episódios e os personagens reais dessa série, não roteirizáveis, seguirão seu caminho natural. Vai chegando a hora de algum deles, desbancar Vin Diesel e assinar seu contrato com Hollywood. Tem aí algum candidato de Madureira na manga?

 

O ATRASO, A EXTINÇÃO DE EMPREGOS E O IA DA NOVA PRODUTIVIDADE

Quantas pessoas perderam seus empregos quando a roda foi inventada? Qual o número de bravos guerreiros foi dizimado pela invenção das alavancas, flechas, ou realocados para a função de arqueiros? E os artesãos que antecederam a 1a Revolução Industrial? Qual o quantitativo de baixas na população levada ao desemprego sem alternativas a sobrevivência?

É certo que Domênico de Masi, com quem estive e de quem pude ler “O Ócio Criativo” – tenha na sua ampla base de pesquisa no campo da sociologia do trabalho muitas dessas respostas.
Por diversas vezes, ao passar pela Av. Brasil na altura de Guadalupe, me deparava com um muro de fábrica, cujo título era Remington Rand. A história das fusões, incorporações e envolvimento com diversos momentos do desenvolvimento tecnológico dentro desse grupo remete quase a uma mitologia, envolvendo o primeiro teclado QWERT em máquinas de datilografar, fabricação de pistolas para a II Guerra Mundial e o famoso UNIVAC, computador tiranossáurico que ocupava o espaço equivalente a uma garagem de carro.
Coube a um amigo que já frequentava aulas de digitação, recuperar seu diploma do curso de datilografia elétrica, prova de uma dessas tentativas de um determinado setor industrial escapar da extinção. Isso faz uns trinta anos, ou mais. Seria impossível que alguém gastasse seu dinheiro para comprar uma máquina de datilografar elétrica, rápida, bonita, robusta, no lugar de um computador com editor de texto.

É que além de digitar, o novo cabra da peste possuía corretor ortográfico em vários idiomas, acoplava-se a dicionários como o Aurélio, incluía dicionário de ideias, sinônimos, Thesaurus, editava e copiava, alterava tipologias, entre tantas outras novas funções versáteis, cumulativas e de produtividade.

Daí pra frente a coisa avançou, e no lugar do auxílio aos letrados, para que errassem menos – ou ganhassem o tempo de ter que recorrer ao pai dos burros – já recebiam inclusive sugestões para construções mais inteligíveis de frases. Muitos grupos corporativos se beneficiaram disso para realizar, por exemplo, contratos sob a forma de módulos, dando uma produtividade e flexibilidade as negociações jamais visto. Acompanhei trabalhos geniais – realizados pelo amigo Bafa no Banco da Bahia – daqueles  que eram de deixar qualquer um com inveja. Automação de processos, já falei sobre isso, o que muda agora é o objeto.

Como assim?, objeto? É que entramos na Era da Automação do Conhecimento. Antes de falar dela, darei um exemplo simples. Embora não seja desejável, é possível para uma pessoa qualquer, com muitas lacunas de conhecimento em matemática, utilizar com bastante destreza um conjunto de equipamentos, exercendo a função de caixa de supermercados. Os produtos com seus respectivos códigos de barra, tem seus preços em bancos de dados do estabelecimento, bastando que o leitor seja direcionado para que o processamento da conta de soma, a verificação das quantidades, se um ou dezenas daquela mesma mercadoria e a unidade de peso ou alguma outra.

A partir do total, entra em cena o pagamento e pronto, no máximo um obrigado e um próximo numa daquelas filas usuais. A operação de uma máquina de calcular libertou as pessoas comuns da obrigatoriedade de serem alçadas as olimpíadas de matemática dos realities de final de semana. E foi assim que, 60 anos depois,  o terreno da Remington Rand foi ocupado, não por sem terras ou alguma cracolândia, mas pelo Atacadão.  O nome disso é produtividade, como vantagem competitiva.

Poderia discorrer sobre diversos outros exemplos, que anunciam substituições funcionais e extinções de atividades outrora de natureza humana. No lugar de estivadores carregando sacos de arroz de 50kg nas costas, empilhadeiras. Acabou com a integração entre Supermercados e seus antigos pontos de distribuição logística a revolução do chamado atacarejo. Toda crise de poder de compra gera uma oportunidade para entrada de competição que possa vender o chamado “feijão com arroz”, mais barato. Armazenar e vender utilizando um só lugar trouxe economias antes não imaginadas pelos grandes convencionais com suas suntuosas estruturas de custos. A inflação e alguns desastres econômicos obrigou redes a repensarem. E aquela história do “quem desdenha quer comprar”, aconteceu com Abílio Diniz, com quem estive, do alto de toda sua soberba. Teve que baixar a bola e readequar discurso e ações para não enterrar o negócio, como já aconteceu com tantos outros no passado varejista.

A revolução que chegará – não mais para os iniciados de TI, mas para a população em geral, inclusive os analfabetos e sem maiores qualificações – é a soma de algumas partes. A expressão “Generative A.I.” é bem específica e se distingue da área de A.I. em sentido mais amplo. O exemplo que darei vai de encontro a uma pergunta feita ontem por um amigo, quando mencionei o conceito da Apple sobre “Spatial Computing”, com seu novo produto, o Apple Vision Pro, com lançamento previsto para dia 2 de fevereiro nos EUA. Ele queria saber se os computadores de mesa, e seus programas estariam condenados – assim como o UNIVAC e a máquina de datilografar – a extinção.
Minha resposta foi que não. Porque os mercados de nicho para usuários de alto processamento gráfico local estão indo de vento em popa, já que todo garoto de 5 anos sonha em ser um Neymar, ou um campeão de jogos eletrônicos. Falei recentemente do recorde do Tetris, batido por um jovem de 13 anos, com software paleolítico, em máquina jurássica, mas usando teclado revolucionário, não existente quando o jogo foi criado. Há uma encruzilhada aí. Essa tal revolução da “IA Generativa”, só vai acontecer para pessoas e empresas que tiverem acesso a capacidade de ultraprocessamento produzido por quem? Pelos superchips “AI-ready” da NVIDIA, a empresa fabricante de placas gráficas de alto poder de processamento, que em maio de 2023 obteve uma capitalização de mercado ultrapassando a ordem de 1 TRILHÃO DE DÓLARES.
Então meus amigos, de que DEMOCRATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO estamos falando? Esquece essa utopia. Vamos mergulhar num acentuamento daquilo que o professor Alberto Santoro denunciava como Digital Divide em suas atividades na área de Física de Altas Partículas. As empresas que deterão os recursos necessários para PROCESSAR DADOS EM NUVENS COM PROCESSADORES AI podem ser contadas nos dedos.
A outra face dessa moeda são as LLM’S, as Linguagens da Amplo Espectro, que permitirão a pessoas sem capacidade de fabricar pelas próprias mãos pensamentos ou outros produtos do intelecto humano, no campo artístico, cultural e do conhecimento em geral, a partir de fragmentos de palavras, balbuciadas por assim dizer, verdadeiras obras, cujo valor ainda há que se discutir, tanto do ponto de vista do mérito, quanto da sua validação social ou científica. O peixe já está sendo vendido faz alguns anos, alguma coisa já é feita, mas o caminho a essa Terra Prometida parece que vai mesmo é promover a demissão de milhões de “analistas ou produtores simbólicos”.
Ou seja, o que o arado e a colheitadeira fizeram com o homem do campo, expulsando-o para as grandes metrópoles, e transformando toda a teia de interações sociais, será reestruturado agora no interior das áreas de serviços, onde imperaram até aqui a acumulação do conhecimento técnico. Há uma forte esperança dos donos, de que eles finalmente se livrem do que no fundo consideram verdadeiros encostos inconvenientes, esses tais de donos das verdades técnicas, para as quais tem que se submeter, ainda que a contragosto. As demissões em massa já estão em curso. Vamos aguardar pra ver qual o grau e velocidade atingirão junto a essa camada mais privilegiada da população, que se julgava inatingível e corre o risco de ser a próxima classe a se juntar aos párias.

OS ARRECADADORES E OS BEATLES

Tax Man é a primeira trilha do álbum Revolver.
É muito provável que uma boa parte dos mais jovens do Brasil nunca tenham ouvido alguma música dos Beatles. Muitos inclusive nem sabem que trata-se de uma banda de rock que mudou a cara da música no planeta. Tendo realizado mais de 250 shows ao redor do mundo, entre 1960 e 1966, é com o álbum Revólver que a quadriga atinge seu ponto de amadurecimento, sendo essa coleção a mais bem classificada, passados bem seus cinquentas anos.
Coube ao guitarrista George Harrison – com alguma ajudinha de Lennon – inaugurar as letras de caráter político da banda.
O contexto? Bem parecido com o dos governos do Brasil atual, só que na Inglaterra da década de 60. Acreditem, as taxas de impostos progressivos aplicados ao grupo alcançaram a marca de 90% e aí não houve outro jeito a não ser gritar, com a notória picardia que caracterizou diversas letras dessa turma de vagabundos, ao olhar da militância trabalhadora, que vive da riqueza alheia, frequentando hotéis cinco estrelas pra distribuir migalhas a quem merecia ao menos um salário mínimo digno pra chamar de seu.
O governo trabalhista de Harold Wilson foi só um aviso do que viria depois. A carga tributária aplicada em cascata no Brasil é braba? A Reforma aprovada esse ano não botou o dedo na ferida. Preferiu enganar o povão. Esperem pra ver o que aqueles que raparam o tacho das empresas brasileiras estatais e suas respectivas irmãs capitalizadas, bancos, fontes de riqueza controladas pelo Estado farão.
Na segunda etapa desse plano nefasto, que onera quem trabalha e produz riqueza, vem ganância vampiresca maior. E não é com intenções distributivas, pois o Estado, dissolvendo a luz do dia, afirma cinicamente, que a fila para quem tem direito a aposentadoria será eterna, mantém um milhão de pessoas na fila de cirurgia do sistema público de saúde epassa a vacinar contra COVID apenas quem é do grupo de risco, fazendo todos os demais pagarem pela vacina.
Não fosse suficiente, 40% de analfabetos funcionais mantidos, crianças do período da pandemia sem aulas de reforço, condenadas ao analfabetismo numa idade crítica para o desenvolvimento cognitivo.
Num contexto como esse, seria pedir demais que alguma segurança pública fosse oferecida, sabemos que não será, salvo para os chefes de milícias e tráfico, protegidos – tal qual Pablo Escobar na Colômbia – em presídios de segurança máxima, para não serem assassinados por facções inimigas.
O aparelhamento do estado ineficiente, povoado por celebridades populares, sem qualificação de qualquer espécie que não seja popularidade, vai deixando portas abertas para um futuro infernal.
Tax man, dos besouros de Liverpool é um aviso premonitório desse despenhadeiro. Enquanto a música do Brasil e seus criativos não acordam, ouçamos Beatles, com traduções de qualquer espécie.

A LÓGICA DAS APOSTAS E SUAS CHANCES

Não quero te desanimar, mas suas chances de ganho em um sistema de apostas é sempre mínima, e na média da totalidade de apostadores, a casa é a única parte que vence sempre. Todas as vezes em que esse axioma é quebrado, entram em cena outros atores das páginas policiais, com diversos recursos de monitoramento e investigação, para descobrir porque um determinado indivíduo ou grupo estão contrariando a regra do jogo e ganhando do cassino.

Um garoto de 13 anos de idade acaba de zerar o Tetris. Esse divertido passatempo, criado em 1989 nunca havia sido derrotado por um ser humano. A que chamaremos essa geração que passa 20 horas por dia disputando com máquinas para ganhar delas?

Nessa primeira semana do ano, fiz um laboratório sobre apostas online oferecidas pela maior casa do gênero do mundo. Não cheguei sequer a utilizar métodos estatísticos, análise multivariada, divisão de blocos, nada disso. Basicamente, apliquei uma pequena quantia, de forma homogênea, em sete palpites envolvendo resultados de partidas de futebol, seguindo a sugestão de um conhecedor desse ramo. Seus prognósticos envolviam uma caralhada de partidas, muito além do meu interesse específico.

Resumidamente, dos sete palpites de resultado de partidas, com base nas recomendações escolhidas, acertei seis. De onde você está, a conclusão deve ser: “fantástico”. Lamento dizer, não é bem assim. O cálculo de distribuição dos recursos investidos em comparação com os ganhos e o valor perdido é quase equivalente. Essa “desproporcionalidade” se deve ao fato de que para ganhar seis em sete apostas, a recompensa é normalmente baixíssima. Apostar no resultado daquele que possui favoritismo tem odds baixíssimas.

Isso significa na prática que ao apostar com recompensas baixas, basta perder em uma delas e você vai arcar com o prejuízo de 100% para a casa de apostas. É essa a diferença entre você e eles. Quando você ganha, a recompensa em situações fáceis é quase nenhuma. Já quando você perde, a casa ganha todo o seu dinheiro. Inevitável dizer que ela está numa posição de vantagem insuperável, tal como um supercomputador, alimentado por dados obtidos em tempo real nos lugares onde os eventos acontecem, trabalho feito por humanos. Fui inclusive selecionado para realizar essa atividade de coleta de dados em arenas esportivas. Meio parecido com os funcionários do IBGE, batendo de porta em porta para saber sobre nosso país no censo. Dentro dos estádios existem pessoas que assistem partidas não mais para comentar ou transmitir, mas para coletar dados para as Casas de Apostas. Isso te coloca em desvantagem. Mas essa é apenas uma delas. Existem outras.

Os Cassinos olham atravessado para os que ganham mais do que perdem. Tive oportunidade de presenciar essa dinâmica em Lima, por ocasião dos Jogos Pan Americanos de 2019. Acompanhando as atividades de um apostador estrangeiro, que ganhava mais do que perdia, percebi que recaiu sobre ele essa espécie de negatividade. Donos de negócios muito lucrativos não gostam de perder, não tem fairplay e podem inclusive utilizar meios não muito ortodoxos para se vingar dos melhores jogadores.

Deixo os dramas de um brilhante escritor, que jogava, e escreveu um livro para pagar as contas, sobre o jogo e outros bichos. Fyodor Dostoevsky não é para os fracos. Jogo e dinheiro são faces de uma mesma moeda. Há um filme de 2017 baseado no livro, de boa leva.

Ganhar da Casa de Apostas não chega a ser impossível. Mas se quer ter uma vida de negócios mais tranquila, abra uma padaria.

A NECESSIDADE DE SER FELIZ

“Quem pode querer ser feliz, se não for por amor”

Ao final de alguns ciclos costumamos desejar, quase de modo automático, “felicidades”. E assim dizemos “Feliz Aniversário”, e em especial ao final de cada ano “Feliz Ano Novo”. Observando de forma totalmente irresponsável o uso da palavra em letras de músicas brasileiras, tenho na lembrança antigas canções. Em Caetano, uma letra brejeira, melancólica, que na atualidade é considerada chata:

“Felicidade foi embora
E a saudade no meu peito ‘inda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque sei que a falsidade não vigora”

Pulando de um pólo a outro, encontramos Cazuza, muito mais interessado na garantia do prazer cotidiano em batidas de rock brasileiro, no hit “Pro Dia Nascer Feliz“. Para o poeta, a felicidade morava nos quadris, atmosfera plena em 1984. É claro que a fugacidade da juventude, do frescor e a passagem para as próximas etapas que a vida apresentará não fizeram parte da sua história, deixando um espaço para outras reflexões, o desafio da efemeridade e da felicidade líquida denunciada na obra de Zygmunt Bauman.

É certo afirmar que em cada lugar do mundo os sentimentos são vividos de modo bem diferentes. Seja pelas distâncias materiais, seja pelas dinâmicas emocionais construídas no interior de cada tecido social em questão. Volto portanto ao hábito quase compulsivo de se dirigir ao outro e dizer “feliz isso”, ou “feliz aquilo”, para aproveitar a oportunidade para mudar um pouco a perspectiva automática que assistimos atualmente.

A felicidade individual pode ser entendida como um estado interior de satisfação plena, física, mental, psíquica e espiritual. É possível olhar para uma pessoa e perceber se ela se encontra nesse estado vibratório? Creio que para alguns sim. Mas cada um pode externar sua vibe de forma diferente. Há também o oposto. Já conheci casais que na dor da separação e dos conflitos mais terríveis diziam “seja feliz”, com sentimentos completamente inócuos quanto a esse desejo real.

Ao longo da história humana, dezenas de filósofos falaram “sobre” a felicidade. No momento atual, creio que as pessoas estão mais interessadas em dicas práticas sobre como elevar a minutagem de bem estar de suas vidas. Poderiam começar olhando para os lados, vale mesmo os animais, e descobrindo o que lhes deixa feliz, modelo bem mais simplificado. Li recentemente que os gatos quando estão felizes com seus donos, demonstram isso fazendo gracinhas, tipo colocando a barriga pra cima e lagarteando. Taí, observar os sinais dos demais seres vivos. Quem sabe um sorriso de uma criança?

Frases provocativas como “dinheiro não traz felicidade”, acompanhadas de um contraditório: “mas ajuda pra cacete”, trazem luz a questionamentos de toda ordem. O livro “Build the Life You Want: The Art and Science of Getting Happier“, escrito por Arthur C. Brooks, professor sobre felicidade da Harvard University, em parceria com Oprah Winfrey é, não por acaso, destaque de 2023. O mundo transborda em dor e tristeza e o jogo do contente da Pollyanna já não é mais suficiente – embora muitos ainda guardem lugar para esse clássico em suas prateleiras.

A alienação como paliativo proposto, o mergulho nas “substâncias de apoio” – expressão que criei para escrever um livro sobre produtos legais e ilegais que aumentam a resistência a determinadas dores – é um caminho curto e efêmero. Dá vida curta e por algum tempo joga pra debaixo do tapete a soma dos incômodos. Pode ser que exista uma chance de se arrumar a casa.

Faz algum tempo que atuo dedicando parte do meu cotidiano para “distribuir felicidade”. Em que sentido faço uso da palavra? Buscando sempre que possível produzir benefícios ao próximo, não num sentido meramente discursivo, mas de forma prática. As vezes envolve materialidades, noutras emoções. Se exercitar conscientemente nessa direção produz resultados incríveis. Durante esse período, assisti empresas internacionais criarem “departamentos de felicidade”, que nada mais eram do que novos serviços de atendimento, com abordagem humanizada. Tive notícias de um grande amigo que instituiu em um time de futebol de mulheres um departamento desse tipo, segundo seus próprios critérios, numa iniciativa inédita no Brasil.

Creio que assim como o mundo prepara pessoas para a Guerra, conflitos armados, litígios e disputas internacionais cabeludérrimas, redes de advogados para divórcios, guarda compartilhada, e tantas outras famigeradas circunstâncias muitas vezes evitáveis, creio que é urgente a regulamentação de uma nova profissão, junto ao Congresso Nacional: a do Distribuidor de Felicidade. Temos nesse país um alto potencial de pessoas com talento para exercer essa atividade, somos reconhecidos internacionalmente por isso. No entanto, só poderão exercer como direito de forma de vida, se tiverem como viver dignamente dessa forma.

Definir parâmetros para essa nova etapa é meu Desenho de Giz. Feliz 2224! Ops, visão pra daqui a 200 anos? Pode ser agora.

 

 

 

 

NÃO ACREDITE EM PREVISÕES DO MERCADO


É fato que nas paredes dos muros dos trens se anunciem trabalhos que mudam destinos e tragam amor em sete dias. O mais interessante é que você só paga depois que o resultado acontece. Já no mercado financeiro, sua grana é que está na reta. Então siga a palavra cristã, dita pelo próprio: “examinai todas as coisas e retém aquelas que te convém”.
O ano de 2023 foi apenas mais uma prova cabal disso, e contrariou os jogadores de búzios do mercado, as cartomantes do pecado capital, as ciganas das esquinas de Wall Street, os gurus do Vale do Silício e seus mantras. Quem seguiu cegamente conselhos se fudeu. Por isso, repito, não acredite em previsões do mercado. A razão é simples, A REALIDADE É EXTREMAMENTE DINÂMICA.
A matéria abaixo, fala de estrategistas pregando recessão nos EUA, nosso 2o maior parceiro. Ao contrário, a inflação caiu, o consumo se manteve e o desemprego atingiu a fantástica taxa de 3,4%, a menor taxa desde 1969. Porra, será que ninguém sabe ainda que a economia americana é movida a guerras e estamos com duas conflagradas, sem prazo pra acabar para os próximos anos?
Adicionalmente a isso, com a experiência inflacionária imposta aos americanos pela pandemia, os caras aprenderam a usar juros mais altos pra faturar algum, tal qual acontece no Brasil faz tempo. Vou continuar insistindo em instituir um aplicativo para que cada cidadão possa calcular seu IPCA individualmente, porque esse número que sai pra todos rouba a maioria. E disso não se fala, é sacanagem consentida.
O destino se constrói a cada cinco segundos, desastres, infortúnios ou bençãos podem acontecer numa fração de segundos. Mantenha seus instintos afiados, observe os animais, seu nível de atenção é uma fonte valiosa de resultados. Se prepare pra não ficar na mão do palhaço em 2024.

POR UMA VIDA MAIS CONFORTÁVEL NOS PRÓXIMOS ANOS

Quando comecei a jogar bola, as chuteiras tinham travas com pregos. No início do volei, o tênis da Asics não tinha qualquer amortecimento, mais se parecia com sapatilha de corredores das provas de atletismo. A gente não sentia nada, jogando no chão duro. Apenas mais tarde houve a evolução para que se reduzisse a quantidade de lesões e consequências terríveis para atletas em geral, e profissionais em especial. A participação na marca dos grandes nomes deu um pouco de poder para que os que usam pudessem discutir sobre a qualidade daquilo que iriam assinar para marcas ganharem bilhões.

Por questões relativas a saúde e longevidade esportiva passei a estudar as tecnologias de tênis e utiliza-las a favor da segurança na prática do esporte, colocando a performance num segundo plano, já que não me profissionalizei como atleta, atividade paralela adotada como hobby. As marcas mais presentes desse experiência foram a Nike e a Adidas. Há um livro na gaveta sobre isso, pelo menos duas centenas de tênis comprados para transferir benefícios, dando acesso a população de menor renda a essa tecnologia e a informação relativa a forma de uso. A Nike Factory andou pelo Brasil com pontos de distribuição e os Outlets também fazem uma parte desse importante papel na evolução necessária.

Atualmente tenho me concentrado em questões bem específicas, direcionada a pessoas como eu, lesionadas, e que podem ter uma sobrevida na arena esportiva, desde que utilizando tênis e recebendo cuidados adequados as práticas. O conforto é minha prioridade nas escolhas para 2024. Está claro que o conforto começa pelos pés. O desafio a ser resolvido é como concretizar o resultado da pesquisa numa conjuntura econômica de preços estratosféricos. Vou indicar um caminho, sem precisar daquele cursinho no youtube.

A melhor tecnologia disponível no mercado que combina amortecimento, impulsionamento, durabilidade e não geração de memória é o ULTRABOOST, quem quiser a prova, assista o vídeo que elevou o patamar em matéria de novos materiais na sola dos tênis. Muitos chegam a dizer que trata-se do equivalente ao iPhone para os pés. Venho utilizando o mesmo faz dez anos, resultado de uma troca de um tênis mais robusto que utilizei na Colômbia, a prova d’água, outra finalidade. Vamos dar um salto no tempo e chegar as decisões desse ano.

Nos preparativos para a tão esperada Olimpíadas em Paris, aliada ao ciclismo do Tour de France, apostei num Ultraboost 22, que no outlet custou a metade do preço. Com a última camada do solado utilizando tecnologia de pneus de avião, fica difícil competir no quesito antiderrapante e durabilidade. Em relação aos dois anos anteriores, senti uma alteração e mais desconforto, ficou mais duro, o que pode ser bom para quem tem problemas com torções de tornozelo, situação oposta a minha, quanto mais amortecimento melhor, pelo peso corporal e pelo que levo como carga adicional em caminhadas do cotidiano.

Foi na compra dele que encontrei pela primeira vez, na loja de Outlet da Adidas o X_PLRBoost, mas a um preço nada promocional. Ao chegar em casa, iniciei a pesquisa sobre o modelo, a intuição já me fez indicar para um amigo que reclamou de não ter sentido o mesmo nível de bem estar no Ultraboost 22, que o de um outro produto indicado, o PURE BOOST. Não conte nesse caso com a durabilidade da última sola Continental.

Com a intensidade de uso dos que me acompanham diariamente, uma unha encravada de forma praticamente crônica e um ultraboost 22 belíssimo, mais duro do que gostaria, passei no Natal pela loja para olhar a cena de ofertas. Sabendo do fiasco da Black Friday pelos noticiários, havia uma chance de encontrar algo que coubesse no bolso. Lá estavam eles, a principal aposta do Outlet foi o X_PLRBoost. Uma variedade de tamanhos, cores, preços e promoções consumiram pelo menos uma hora do meu tempo. É sempre mais difícil encontrar a numeração masculina 40 e 41 num outlet. Não foi diferente dessa vez, mas pelo menos havia fartança suficiente de estoque, que não acabaria de véspera. Tudo anotado, planejamento para na última semana do ano fazer algum movimento. Mobilizei um grupo de interessados em conforto, e encontrei um artigo definitivo, escrito por Evan Sanders, cujo mantra já é minha necessidade desde de minha lesão no menisco medial mais jovem: conforto.

A verdade é que o envelhecimento traz maior probabilidade de desgastes nas articulações, em especial nos joelhos, quadris, pois somos sustentados por uma perna de cada vez em quase a totalidade de nosso peso. Como agravante, nas escadas temos que realizar esforço maior do que caminhando em terreno plano. Sem a produção dos lubrificantes que o corpo fabrica, realizando sobrecargas sem acompanhamento médico em academias irresponsáveis, lá se vai menisco, cápsula sinovial e o próprio osso. O amortecimento proporcionado pelos tênis de nossa época pode reduzir significativamente o sofrimento de quem vive esse drama e evitar em parte que ele aconteça de forma acelerada.

A certeza quanto ao êxito da aquisição do X_PLRBoost era tamanha, que pela primeira vez na vida, saí de casa de chinelo, para calçar o tênis e voltar fazendo um workout, após dois dias seguidos de 15 km. Resumindo, o resultado foi como uma volta para casa, caminhando nas nuvens, mesmo carregando uma mochila tática e uma bolsa de academia com pertences diversos.

Aí 2024 passou a ser uma janela para desejar dias de conforto, com o mínimo de dor e muito movimento, porque para mim, ele já começou. Agora vou atrás da Champagne, porque sem ver jorrar a espuma na taça no Reveillon o Carnaval fica sem combustível pra festa.