CARNAVAL, FUTEBOL E A IDENTIDADE BRASILEIRA

Os preparativos para o Reveillon não param. Mas o que fazer no intervalo além de trocar os presentes defeituosos de Natal? Em outros lugares não sei. Mas no Rio de Janeiro, é fácil. A Cidade que detém a senioridade no quesito poder, pois foi por quase 200 anos a capital do Brasil, sabe que o conceito de nação exige uma identidade local forte. Diferentemente do que imaginam os grupos religiosos colonizados ou aqueles que aderem a geopolítica clássica que não discorrerei aqui, vejo a identidade do país nascida a partir da dupla samba e futebol. E aí, não tem jeito, o Centro de origem desse binômio – expressão muito utilizada em genética para indicar o berço das coisas – é o Rio, mais especificamente a periferia desse território.

Hoje foi dia de cavar nesse patrimônio imaterial de memórias, e olhar para o que restou, um verdadeiro chão de estrelas. Como dizem os astrônomos, a luz das estrelas que vemos hoje chegou até nós milhares de anos depois de serem geradas no corpo celeste em questão. E foi assim que acendeu-se em minha memória, o dia em que meu avô me levou aos seis anos de idade ao que hoje chamamos de Ponto Chic, para ver um desfile de rua da Mocidade Independente. Me colocou nas suas costas, para que eu pudesse assistir. O Raimundinho era um amor, e me presenteou com a escolha da Estrela de Luz de Padre Miguel, cuja letra do samba confirma:

“Padre Miguel é a capitalDa escola de sambaQue bate melhor no carnaval” 

Nesse final de ano, foi a vez de assistir ao último ensaio de rua da Mocidade, numa experiência completamente registrada em quase uma hora de LIVE. Apesar de não ser um frequentador assíduo da quadra, encontrei amigos de longa data, fazendo até um rápido registro para o Canal Sapucaí, sobre o preço da castanha de caju nesse Natal, já que essa fruta é o tema do samba enredo da agremiação.

Num dos trechos da letra do samba, a frase “A Mocidade é a cara do Brasil”, me proporcionou uma reflexão de múltiplos sentidos e autores, que como Cazuza, pediram pro país mostrar a sua cara, identidade afirmativa. Uma nação multifacetada não se define facilmente, mas se há um lugar para sentirmos essa pulsação, é no meio do povo. E lá estavam eles, bem melhor acomodados do que no Setor 1 do Sambódromo, nas escadarias da Estação Guilherme da Silveira.

Do outro lado da Cidade, Zona Norte, brilhavam outras estrelas. Era dia de Zico e seus convidados fazerem do Maracanã uma espécie de reserva moral, encontro de craques de todas as idades, as verdadeiras autoridades do futebol, numa confraternização inigualável, que pode ser no máximo, copiada por outros em outras partes do mundo.

O que acontece a 19 anos pelas habilidosas mãos do Galinho de Quintino é apenas mais uma prova de que temos os termos de referência para estruturar uma identidade nacional a partir de nossos próprios valores, o que inclui o futebol. A fórmula com artistas, que atraem principalmente o público feminino em rodada dupla, horário familiar e no final de semana, foi maculada esse ano por conta do Ano Novo no domingo. Mas os 50 mil presentes dão uma ideia da importância dessa iniciativa, que agora já conta até com transmissão ao vivo pela Sport TV, que nas férias do futebol, pouco tem a oferecer para esse público, que não tem interesse em ver as finais da NBA.

Queiram ou não, o carnaval e o futebol são as duas marcas identitárias mais importantes do Brasil, no exterior. Suas raízes inequívocas estão na cena cultural carioca, e o nascedouro simultâneo das duas, mais especificamente em Bangu e Padre Miguel. Pra entender o Brasil, tem que ler Meu Pé de Laranja Lima, cantar Meu Limão Meu Limoeiro, saber quem foi Seu Danau e Mestre André, acessar a antropofagia da letra em “Meu Caju, Meu Cajueiro…”, e rezar para muito além de um Pai Nosso, reverenciando seus mortos, tal como foi feito no templo do futebol, em homenagem a Roberto Dinamite e Pelé.

Então irmão, chupa essa manga!

UM CARIOCA NA RESSACA DE NATAL

Cariocas

Terminado o Natal e o enterro dos ossos, com maçarico queimando tudo, a 60 graus de sensação térmica, eis que aparece um fim de tarde nublado e chuviscando.
Praia e calçadão vazios, sobressaem as centenas de lixeiras da Companhia de Limpeza Urbana, no deserto de areia, sem pessoas. O cheiro insuportável de esgoto, na altura do Posto 8 em Ipanema me incomoda. Vivo em atmosfera com melhores aromas, ainda que de calor insuportável.
Cabe investigar a origem dessa discrepância.
Anunciam dois palcos para os shows de Copacabana. A moda do momento num lado, o samba no outro. Para dois milhões na praia é pouco. Já tivemos mais palcos para 1 milhão de pessoas.
A violência promete ser combatida? Pela violência e sem inteligência, é impossível. Com apenas 3 mil para 2 milhões, esquece. Nesse momento, todos querem tirar férias. Há formas melhores de cuidar da sociedade.

Vai terminando um ano difícil. É que as métricas seguem desatualizadas, quando confrontadas com a realidade. E as narrativas que protegem os responsáveis ao invés das vítimas, cada vez mais caras e sofisticadas. Copacabana é o retrato do Brasil, uma espécie de termômetro do que está acontecendo ou para acontecer. Pelo menos o sol nas areias da praia ainda não foi soterrado pelos prédios de altura incompatível, tal qual já se deu no desastre de Recife. Mas estamos caminhando para isso. Algumas licenças ali, outro arranjo nas sombras aculá. Afinal, dirão os mais gananciosos, “pra que o sol?”. E é assim que vamos matando a galinha dos ovos de ouro. A verdade é que as metrópoles já não representam as taxas de crescimento acima da média do PIB no país, isso cabe as cidades do interior, os novos protagonistas, sem surpresas. Mas preservar a beleza para os cariocas é papel dos…

Leitores de livros.

E foi por isso que passei na Livraria Travessa do Shopping Leblon, para curtir a vitrine montada por gente de bom gosto e cultura bem acima da média, sim, porque lida. Sei que em tempos de politicamente correto, da noção de que todos são iguais e coisa e tal, explicitar a distância entre os que tem acesso a leitura continuada e os outros é quase impossível. Virou assunto tabu falar dos 40% de analfabetos funcionais ou das crianças da geração COVID que não aprenderam a ler e deveriam receber cuidados especiais, aulas de reforço específicas, para não perderem o bonde da história. Já faz algum tempo que escuto a justificativas como: “se o Presidente é analfabeto, pra que estudar?”, ou “se o jogador de futebol é milionário, pra que estudar?”. Uma grande parte dos jovens é levada a acreditar em milagres. Não é preciso legenda. A defasagem do discurso em uma rodada pela cidade. São Paulo idem.

Fico me perguntando, qual a parte ainda não circulou pela cidade, para além das propagandas oficiais sobre reformas e modernização do BRT, e ainda não esbarrou com o crescente número de moradores de rua, em qualquer bairro, inclusive nas supostas fortalezas inexpugnáveis da população emergente da Barra da Tijuca?

Não falta na população o sentimento de gentileza e solidariedade. Mas alguns problemas que saltam as olhos, se tornaram tendência sombria para 2024, ano de eleição local, as municipais. Quem trará novas propostas, além do velho discurso de maquiagem? A prosperidade existe, o país, o estado e o município nadam em dinheiro.

Tic, tac, tic, tac, tic, tac, tic, tac, 2024 mil vezes. Não deixe a bomba explodir, há tempo pra desarmar.

A PALETA NACIONAL E SUAS BASES AMINADAS

É tão difícil se alterar a evolução de uma paleta de cores quanto o desenvolvimento de uma tabela periódica de química. As camadas de desenvolvimento desses dois exemplos que levaram séculos até chegar onde estamos é extraordinária, seus padrões foram padronizados e adotados universalmente, para uso e ensino nas escolas. No entanto, as cores e os átomos sempre estiveram presentes na natureza. A Ciência é um mero recorte da realidade, de altíssima precisão, limitadíssima para explicar a amplitude e a complexidade dos fatos que a cercam.

Por exemplo, no contexto da normatização dos átomos, é fato que a massa atômica do nitrogênio é 14. Todavia, as formas puras sonhadas pelos gregos esqueceram de incluir os isótopos radioativos do nitrogênio, cuja massa atômica é 15. Nenhuma forma viva, no campo da matéria, segue regras absolutas, sem desvios. Nesse sentido, a perfeição é muito mais um objetivo dos obcecados por ela do que uma regra de comportamento de fenômenos no campo da matéria. A própria existência de vários elementos constitutivos da matéria é uma prova dessa benéfica precariedade.

Sem as diferenças nada aconteceria. As cores seguem o mesmo caminho. Do simples ao complexo, chegamos as salas de cinema XD com suas 35 trilhões de cores, tantas que são, que mesmo tendo ido dezenas de vezes ao cinema, mal posso compreender o que significam na prática. É como conseguir mensurar cognitivamente o número de estrelas de uma galáxia.

No microcosmo, cada ser humano é uma galáxia. Tal qual o universo, que é constituído de átomos limitados a certos tipos, o ponto de partida são as bases aminadas, de número limitado a quatro: Amina, Guanina, Citosina, Timina. Todas escritas no gênero feminino, representam a vida. Não há organismo sem elas. Qualquer forma de vida é uma genial combinação infinita desses quatro elementos, num código chamado DNA. Eu disse, combinação infinita, pois em tese não há limites para as combinações. É dessa genética que surgem características como ciclo circadiano, que abordamos anteriormente em “O Neardental Que Mora em Mim“, a regular nosso sono e tempo de atividade.

Voltemos as cores. Aquelas que enxergamos dependem de uma série de relações entre frequências emitidas pelas superfícies e substâncias existentes em nosso olho, até alcançar nossa mente e sua decodificação, utilizando um paleta de cores, a princípio igual para todos. Não exatamente. Nossos filtros operam sobre elas. Os preconceitos também. A cor da pele, do cabelo, dos olhos, em especial, são mais que suficientes para traçarmos uma base sobre como nos vemos e a sociedade.

Nos compêndios de botânica e zoologia, as classificações ainda em vigência que definem gêneros e espécies obedecem taxonomias. Nas plantas em geral, a flor é quem dá o caminho para sistematizar a qual gênero e espécie se dará o nome científico do vegetal em questão. Até recentemente, uma longa lista de perguntas, ao final dá a resposta científica quanto a que planta é aquela. Quero dizer, dava.

Com o advento do mapeamento genético de todas as espécies até aqui conhecidas, se tornou necessário reorganizar as gavetas onde Gêneros, Classes, Filos encontravam-se organizados. Esse processo não ocorrerá da noite para o dia. Está em curso, e vai naturalmente chegando ao Homo Sapiens. Com os ingredientes adicionais de uma pretensa superioridade de avaliação de si, que o coloca num patamar acima das demais espécies, uma falha grave de caráter, mais evidenciada nesse destrutivo período Antropoceno. Centrar qualquer conversa sobre a vida apenas no homem é ridículo. Somos parte de um conjunto.

Temos um Instituto de Pesquisa cuja missão inscrita no próprio nome envolve duas áreas do conhecimento, a Geografia e a Estatística. Nosso país nunca foi exemplo em matéria de números aplicados a sociedade. Não faltam casos de maquiagens, descuidos, imprecisões conceituais, atraso de metodologias, má vontade e falta de transparência, ocultada pela destruição de séries temporais por desvios de toda sorte. O aparelhamento de equipes técnicas por elementos despreparados nomeados por critério político, retira completamente a confiabilidade de qualquer atividade científica minimamente séria.

Assistindo as declarações do atual Presidente do IBGE, sobre os dados de distribuição racial no país, fiquei apavorado. É fato que as decisões políticas tomadas sem qualquer parâmetro, ainda que bem intencionadas, mas na verdade populistas, perdem a oportunidade de atualizar a forma de enfrentamento de problemas seculares. Um país continental miscigenado há que considerar as regionalidades e suas heterogeneidades. Até a Beyoncé sabe disso, e não por acaso foi direto pra Bahia. Questão de base racial. Não arriscaria o mesmo na direção de estados mais ao sul do Brasil.

A auto-declaração de raça e cor de pele é um método que a luz dos avanços científicos existentes, está atrasado em pelo menos 50 anos. Seria muito mais legítimo enfrentar os problemas pelo uso de critérios de desenvolvimento econômico e social, dadas as peculiaridades e misturas que temos por aqui, quadro radicalmente diferente do que se apresenta no país que nos coloniza cultural e cientificamente, no caso os EUA.

Cada vez mais, se torna necessário para fins de saúde pública, que os genomas populacionais sejam conhecidos, que os Big Data sejam consolidados, para que uma nova era censitária se apresente mais útil a aplicação de recursos públicos. A ver, na real, ninguém acredita nas estatísticas apresentadas por uma Instituição que admite, que alguém de olho azul, cabelo loiro e pele de cor branca Omo Total se auto-denomine pardo ou preto. Uma insanidade dessa, associado a um discurso completamente contaminado, em nada colabora em localizar os verdadeiramente vulneráveis de nossa sociedade, por região envolvida.

Discursos genéricos como estes, só colaboram para aliciamento de votos em campanhas majoritárias para presidência. Precisamos de metodologias que nos levem aos átomos, as verdadeiras genealogias, ao entendimento de doenças, entre tantas outras coisas, que complementem o que já sabemos pela via da superficialidade intuitiva.

A Colômbia, por exemplo, já em 2015 possuía um projeto científico para essa finalidade. Invejável vanguarda dessas que por aqui andam chamando de Neo-industrialização da Biotecnologia. Podemos fazer muito mais e melhor, com informação qualificada, superando as incursões ideológicas e dando mais independência a Ciência, naquilo que ela se presta a fazer. Enquanto isso não acontecer, o conceito de raça vai continuar sendo apenas letra do Hino do Flamengo, a ser discutida em mesa de bar, como piada.

Genomas já!

O NEARDENTAL QUE DORME EM MIM

Distúrbios do sono no mundo de Cronos. Os relógios que sincronizam pessoas e as escravizam em seus meios de produção. São muitas as narrativas a favor do sono ideal e continuado como sendo o mais saudável. A norma estabelecida para o ritmo circadiano é obedecer as 24 horas, metade dia, a outra metade noite. Mas e seu temp0 biológico, tal como a menstruação nas mulheres, obedece ao ciclo lunar? Tem muito mais por aí…

O ritmo circadiano segue modelo bem conhecido e generalizado. Pode não ser bem assim. Tudo bem que com galinhas poedeiras. de genética modificada e extremamente padronizadas, a utilização de mais luz nas granjas aumente a quantidade de ovos produzidos. O mega campeão mundial nado borboleta Nicholas Santos, tem se dedicado muito a orientar pessoas e atletas a atingir um nível de performance excepcional cuidando do período de repouso.

Nos EUA a utilização de dois horários ao longo do ano gera transtornos para a adaptação e causa problemas de saúde. Mas é certo que não somos todos iguais. A ciência segue cada vez mais fundo nesse lugar, a idade, os hormônios, os níveis de atividade física, a genética, tudo isso tem seu peso. Em escolas na Inglaterra e na Austrália, as crianças são colocadas em turnos matinais ou vespertinos de acordo com características que as tornem mais ativas para o aprendizado no horário adequado.

As especulações sobre genes alelos misturados entre Neardental e nossa espécie aparece como hipótese a progressiva preferência e adaptabilidade ao hábito matutino. É o que diz a Genome and Biology Evolution em artigo publicado esse mês. A constatação de que a capacidade humana de se adaptar a outras latitudes e variações, tal como outras espécies, passou pelo mapeamento de 28 genes circadianos contendo variantes e outros 16 genes circadianos divergentes. Parece fantástico? Creio que minha imaginação foi muito mais longe que isso, observando apenas o comportamento de animais mamíferos. De onde vieram nossos genes, antes de incontestavelmente serem herdados de nossos pais, avós, espécie? Há uma origem comum a toda e qualquer forma de vida? Somos a soma da soma de todas as nossas ancestralidades, não apenas da forma limitada e antropocêntrica hoje enfatizada em nossa percepção de mundo.

A quem devemos de fato o nosso sono? Aos felinos ou aos lobos? A ancestralidade e as temperaturas podem oferecer vantagens adaptativas nesse momento de revoluções e disrupturas climáticas? Quanto mais ao norte ou ao sul do planeta, maiores as variações entre dia e noite e portanto maior precisa ser a adaptação as mesmas. Temos uns 200 genes cuidando de como respondemos a variações de temperatura e a luz.

Uma hipótese que me chamou atenção, envolve a ideia da sentinela. Enquanto alguns acordarão com as galinhas, outros estarão de olhos bem abertos pela noite, tal qual as corujas. O instinto de proteção pode ter desenvolvido um modelo híbrido, que a pesquisadora Keila Velazquez-Arcelay vem estudando com a ajuda de simuladores e Inteligência Artificial.

Creio que virá muito mais por aí.

 

 

 

O ESTADO PAGANDO TRAFICANTES E MILICIANOS

Os noticiários são aterrorizantes. Acabamos de promulgar no Congresso Nacional uma suposta Reforma Tributária, que na prática troca seis por meia dúzia. Ao utilizar as palavras mágicas reduzir, diminuir, extinguir para se referir ao que na verdade é uma substituição de impostos tradicionais por novos, o governo apenas simplifica o trabalho de fiscalização, sem alterar o que de fato interessa a população: o valor da carga tributária. Esse vai aumentar, escrevam. Se não concordarem, farei as contas após a implementação com as notas de compra e venda na mão.

Enquanto tudo isso acontece na arena do Planalto, outros impostos chegam indiretamente no bolso do povo. Lá em Brasília, cegos que estão, porque insensíveis, porque cagando e andando para a sociedade, não assistem TV, não ouvem rádio, não tem jornais, que denunciam os valores que o Estado vem pagando para traficantes e milicianos, nas planilhas de obras públicas em áreas dominadas de fato por essas facções.

O resultado é claro. O imposto que sai do seu bolso, que alimenta o Estado, é transferido como remuneração aos mesmos criminosos que cobram, acumulando assim um ciclo de extorsões que já não tem fim, tal como a desejada mega-sena acumulada. Justamente a parte da população que mais precisa de obras e serviços de infraestrutura, segue tratada tal qual empresas como a ODEBRECHT fez, não apenas no Brasil, mas em vários outros lugares no mundo, por onde passou.

Há que chegar o dia em que o Estado ao invés de pagar aposentados, cuidará do salário desses que hoje vampirizam indiretamente o suor do seu trabalho, pela via do terror e da violência.

Não estamos longe disso, se é que já não chegamos.

PREPARATIVOS PARA O TOUR DE FRANCE

 

Não custa nada uma sessão flashback. O cartaz de convite para o passeio ciclístico foi um marco na história da Zona Oeste do Rio, lugar privilegiado com belas paisagens, dentre as quais o Parque Radical de Deodoro e a Vila Olímpica dentro da Vila Militar. Mais um pouquinho, uns 40 minutos de bike e pimba, já entramos no Parque Madureira. Roteiros ciclísticos não faltam.

Ao longo dos últimos 5 anos fomos preparando a cama para deitar na sopa que será 2024. Se em 2022 criamos o site-marca-movimento “ALÔ PEDAL”, com passeio ciclístico, Garota do Pedal e muitas reivindicações, em 2023 fomos bem mais além. O desejo pela tradição operária, em áreas de subúrbio com níveis excepcionais de qualidade de vida pede bicicletas, incentivando a sociedade a curtir passeios que vão além das competições dos grupos de elite, queremos muito mais…

Em que pese a violência, o ciclismo e suas possibilidades turísticas encontram no Tour de France a melhor versão do mundo no gênero, copiada em diversas partes, inclusive no Rio. Em 2023 fizemos 21 LIVES transformando em uma playlist foda, todos os 21 dias das etapas desse Tour. Já pensando em 2024 e seu bônus duplo: Paris 2024 com as Olimpíadas inéditas, ao ar livre será um desafio, incluindo aí os aspectos de segurança, que acabam elitizando e denegrindo a imagem do evento.

Estamos prontos.

LÁ SE FORAM AS ESPERANÇAS DE DIETA NO NATAL

RECEITA:

Um bolo de baunilha de uma tigela que permanece macio quando congelado, sorvete comprado em loja misturado com um pistache caseiro fácil e quebradiço e uma coalhada rápida de framboesa se juntam para fazer um final de refeição espetacular e satisfatório.


10–12 PORÇÕES
FRÁGIL
½ xícara de pistache cru
3 colheres de sopa. açúcar mascavo claro ou escuro
2 colheres de sopa. mel
½ colher de chá. Cristal Diamante ou ¼ colher de chá. Sal kosher Morton
COALHADA
1½ lb de framboesas frescas (cerca de 4 litros)
⅔ xícara mais ½ xícara (233 g) de açúcar granulado
4 ovos grandes, separados
⅓ xícara de suco de limão fresco
2 colheres de chá. Cristal de diamante ou 1¼ colher de chá. Sal kosher Morton
5 colheres de sopa. manteiga sem sal, cortada em pedaços
BOLO E MONTAGEM
2 litros de sorvete de baunilha, amolecido na geladeira por 20 minutos
Spray de óleo vegetal antiaderente
1½ xícara (188 g) de farinha de trigo
1 colher de chá. bicarbonato de sódio
½ colher de chá. Cristal Diamante ou ¼ colher de chá. Sal kosher Morton
1½ xícara (300 g) de açúcar granulado, dividido
5 colheres de sopa. óleo vegetal
1 colher de chá. vinagre branco destilado
2 colheres de chá. extrato de baunilha, dividido
2 litros de sorvete de pistache, amolecido na geladeira por 20 minutos
FRÁGIL Pré-aqueça o forno a 450°. Torre as nozes em uma assadeira com borda, mexendo uma vez, até dourar, cerca de 5 minutos. Deixe esfriar um pouco e pique grosseiramente. Forre uma assadeira com papel manteiga; deixou de lado.
Misture nozes, açúcar mascavo, mel e sal em uma tigela pequena com as mãos para distribuir uniformemente (a mistura ficará grudenta e pegajosa). Espalhe sobre a assadeira reservada e leve ao forno até dourar e borbulhar, cerca de 4 minutos. Deixe esfriar e quebre os quebradiços em pedaços pequenos.
FAÇA ANTES: Frágil pode ser feito com 3 dias de antecedência. Armazene hermeticamente em temperatura ambiente.
COALHA Leve as framboesas, ²⁄₃ xícara (133 g) de açúcar granulado e ¼ xícara de água para ferver em uma panela média e cozinhe, mexendo e raspando as laterais da panela de vez em quando e amassando as frutas, até engrossar levemente, 10–12 minutos. Transfira para um liquidificador; purê. Deixe esfriar um pouco. Enxágue a panela.
Misture o purê de framboesa, as gemas (guarde as claras para fazer o merengue), o suco de limão, o sal e ½ xícara (100 g) de açúcar granulado. Coloque em fogo médio; cozinhe, mexendo e raspando as laterais e o fundo da panela frequentemente com uma espátula de borracha resistente ao calor, até engrossar ligeiramente e ficar brilhante (não deve borbulhar), cerca de 5 minutos. Adicione a manteiga, um pedaço de cada vez, mexendo após cada adição até derreter e combinar antes de adicionar mais. Coe a coalhada através de uma peneira de malha fina em uma tigela pequena; descarte os sólidos. Deixe esfriar.
FAÇA ANTES: A coalhada pode ser feita com 1 dia de antecedência. Cubra e leve à geladeira.
BOLO E MONTAGEM Forre uma tigela de 9″ a 10″ de diâmetro com capacidade para 10 xícaras (10 xícaras de água devem encher ou ficar dentro de 1″ da borda) com filme plástico, deixando saliências generosas em todos os lados. Misture o sorvete de baunilha amolecido e quebradiço em uma tigela média para distribuir uniformemente. Raspe a mistura na tigela preparada; alise em uma camada uniforme. Despeje metade da coalhada resfriada; alise em uma camada uniforme. Congele até firmar, pelo menos 1 hora. Cubra e leve à geladeira o restante da coalhada. geladeira.
Enquanto isso, pré-aqueça a temperatura do forno a 350°. Cubra levemente uma forma de bolo de 9 “de diâmetro com spray antiaderente, forre-a com papel manteiga e cubra levemente o pergaminho com spray antiaderente. Bata a farinha, o bicarbonato, o sal e 1 xícara (200 g) de açúcar granulado em uma tigela grande. Regue com azeite, vinagre e 1 colher de chá de baunilha e misture bem. Regue com 1 xícara de água; bata até a massa ficar lisa. Raspe na forma preparada e alise a superfície.
Asse o bolo até dourar nas bordas e um provador inserido no centro saia limpo, 25–30 minutos. Transfira para uma gradinha; deixe o bolo esfriar na forma por 10 minutos. Passe uma faca nas laterais para soltar; inverta o bolo na gradinha. Deixe esfriar completamente.
Coloque o sorvete de pistache por cima da coalhada na tigela do freezer; alise em uma camada uniforme. Despeje o restante da coalhada gelada sobre o sorvete; alise em uma camada uniforme. Coloque o bolo de cabeça para baixo por cima e embrulhe o plástico sobre o bolo; congele por pelo menos 8 horas e até 1 dia.
Na batedeira em velocidade média, bata as claras em uma tigela média até formar picos moles, cerca de 5 minutos. Com o motor ligado, acrescente a ½ xícara (100 g) de açúcar restante e 1 colher de sopa. de uma vez; bata até o merengue ficar espesso e brilhante, cerca de 3 minutos. Junte 1 colher de chá restante. baunilha.
Inverta a tigela com o Alasca assado em uma travessa refratária se estiver queimando ou em uma assadeira se estiver grelhando; esfregue a tigela para aquecer um pouco para ajudar a soltar. Remova a tigela com cuidado, puxando o filme plástico; retire o plástico. Coloque o merengue sobre o bolo e espalhe, girando decorativamente, para cobrir. Congele por pelo menos 10 minutos se for queimar ou pelo menos 30 minutos se for grelhar e até 1 hora.
Torre o merengue até dourar com uma tocha de cozinha ou aqueça uma grelha e leve ao forno até dourar por cima, cerca de 3 minutos.
FAÇA ANTES: O bolo pode ser assado com 1 dia de antecedência. Armazene bem embrulhado em temperatura ambiente.

Receita escolhida por nossa equipe de Curadoria Gastronômica, para avaliação e reapropriação criativa. O resultado será apresentado numa LIVE do “Cozinhe com Byluca”.

Receita original

Alasca Assado com Pistache e Framboesa

A REVOLUÇÃO DAS MÁQUINAS DE FUTEBOL

O ano de 2023 vai se confirmando como aquele que consolidou a ideia de que a Inteligência Artificial substituirá em uma série de atividades intelectuais produtivas, o trabalho humano. Recentemente escrevi sobre o que significa para muitos a palavra inteligência. A substituição e a condição obsoleta do homem é fato irrefutável, automações em diversos setores, a robótica em fábricas, lista infindável.

Nos filmes de ficção científica, a franquia do Exterminador do Futuro em sua versão 3, lançou a ideia de uma “Rebelião das Máquinas“. Há uma forte correlação entre a existência de máquinas e a automação. Mas não há como negar que alguém opera as máquinas, desde aquelas que colhem arroz no campo as metralhadoras automáticas. No teatro, foi Vladimir Brichta que protagonizou “A Máquina”, acompanhado de uma turma que vingou, Lázaro Ramos, Wagner Moura, texto adaptado por Joaquim Falcão, extraído de livro homônimo, que virou filme.

Diante de tantos usos, como definir máquina? Certamente pela produtividade, desde antes da revolução industrial e sua máquina a vapor, as alavancas e os princípios Arquimedianos já se apresentavam com esse poder multiplicativo, que tanto interessa aos que querem fazer mais gastando menos, ou impor sua superioridade aos demais, num regime competitivo qualquer. Palavra símbolo de insuperável pelo homem, foi assim aplicada ao time do Fluminense, especialmente nos anos de 1975 e 1976. Os mais puristas dirão que só vale para o 1o ano e tem certa razão nisso. Como disse anteriormente, não há máquina sem operador, no caso o Juiz de Direito Francisco Horta, hoje Presidente eterno do Flu, bem retratado no livro “O Maquinista“.

Em 2019 viajei junto a um projeto para jovens de Xerém rumo a um Torneio Internacional na Flórida, envolvendo todos os continentes e uma diversidade de times dos mais diferentes países, quase nessa mesma época do ano, dois elencos, um sub-18 e outro sub-17. Tive o privilégio de realizar a cobertura com transmissão ao vivo das partidas, em parceria com os familiares daqueles jovens que além de jogar futebol poderiam abraçar a oportunidade de estudar nos EUA com bolsas de estudo, na condição de atletas. Tive a felicidade de ver um desses jovens seguir por esse caminho. Naquele mesmo momento, era o Flamengo quem disputava o mundial de clubes enfrentando o Liverpool de Roberto Firmino. Ainda está na lista de tarefas a realização de um livro sobre esse projeto que leva a marca do Clube, o FLUEXPERIENCE.

Considero importante a memória sobre os tempos mais recentes do time tricolor que tive a oportunidade de ver de perto. Foram campeões em 2010 no Engenhão – após décadas de jejum – com um time comandado por Muricy Ramalho cujo destaque foi Conca e a seguir em 2012. É comum ataques hostis, a compra e a irresistível venda dos campeões a times mais capitalizados do exterior.

Um máquina não se constrói da noite para o dia. É curioso ver a roda do tempo seguindo na mesma direção dos anos 70. Quando Rivellino levou seu elástico, se despedindo do futebol brasileiro para ir ao Al Hilal da Arábia, quem poderia imaginar que Jorge Jesus e Neymar estariam lá em 2023, que o eixo geopolítico do futebol estaria se deslocando de forma brutal na direção do petróleo do Oriente Médio e o Fluminense estaria a dois passos do paraíso? Talvez o estrategista ocidental mais importante do século XX, Henry Kissinger, que posou ao lado de João Havelange e Rivellino.

Não esperem morrer para sonhar com as virgens, é hora de realizar o inédito.

 

 

 

BOICOTES, BLOQUEIOS, CANCELAMENTOS E XOXOTAS

Faça amor não faça guerra. A humanidade não funciona exatamente dentro desses princípios. É que nosso cérebro não é exatamente aquela brastemp. Pelo contrário, olhando pela perspectiva fragmentar, o hibridismo do qual derivamos e a complexidade incontrolável está submersa em enigmas cujo código só arranhamos a superfície. Mistérios.

A ideia de paz entre tribos é digna dos melhores discursos na ONU. Agora, coloque um pintinho de uma cor qualquer, diferente da cor dos milhares ao seu redor e veja a carnificina acontecer. A história do patinho feio não é sobre patos ou feiúra. Ela nos fala sobre a diferença e sua condenação pelos padrões de uma maioria populacional qualquer. A solução para enfrentar diferenças envolve desde o extermínio, tal como proposto pela Teoria da Raça Superior a submissão, tal como em sistemas de castas e filosofias que criam noções quanto a um determinado grupo ser melhor que outro. Sendo assim, em alguns momentos da história humana, aparecem pessoas que terão o poder nas mãos para colocar em prática projetos de homogeneidade globais.

O caso de Hitler na Alemanha sucede ao projeto de Napoleão na França e são objeto de razoáveis narrativas no filme Vozes da Segunda Guerra realizado pela Netflix e Napoleão Bonaparte da Apple Films, respectivamente. Há um ponto em comum entre as duas produções: elas permitem contabilizar a totalidade de genocídios produzidos sem consideração, por todas as partes envolvidas. Muito embora haja o esforço dos diretores para dourar a pílula, mostrando a exceção das atrocidades na desproporcionalidade dos minutos dedicados as putarias, amores em tempos de chumbo e xoxotas por onde adernam os prazeres carnais de assassinos, a realidade foi bem pior do que o retratado nas telas. Diante de tanto dinheiro, pesquisa, talentos e tecnologias envolvidas, só é possível esperar um excelente resultado. Enquanto arte vale como acervo, para aqueles que nunca lerão sequer no Wikipedia as Guerras e Revoluções superficialmente mencionadas, é válido como sinopse, permite invadir a praia do entretenimento alienante com algum conteúdo mais pesado que Batman ou Spiderman. Dentre os momentos, cito uma pérola do discurso vaselinado a uísque, quando da virada de mesa frente aos alemães: “Now this is not the end. It is not even the beginning of the end. But it is, perhaps, the end of the beginning.”
Winston Churchill

Os números que acontecem em nossa realidade atual são apenas o reflexo no retrovisor do crédito consignado, obtido com a mesma gente que mandou para o cemitério milhões e milhões, enquanto tomava champagne.

Aviso aos que vierem a assistir esses assuntos que por detrás das diferenças, envelopadas com a escaramuça ideológica, o que estava por trás, e ainda está são os interesses econômicos, disputas por mercados, bloqueios, boicotes e muitas xoxotas. Vale por ditadores, tiranos, imperadores, sheiks e matriarcas de falsos conventos, dessas que ganham grana em capa de playboy e anos mais tarde aparecem convertidas pedindo censura de suas travessuras. O direito ao apagamento da memória põe em risco alguns esclarecimentos sobre a realidade contemporânea, sem os quais estaremos fabricando uma sociedade de otários comandada por farsantes.

É curiosos, por exemplo ver a raposa-sultão al-Jaber, Presidente da COP28, se retratar quanto ao seu negacionismo explícito em entrevista recente expôs seu negacionismo retrógrado quanto aos dados científicos fartamente disponíveis, relacionados ao efeito estufa e sua relação direta com o uso de combustíveis fósseis, que representam 75% da responsabilidade total. Os termos “phase-out” e “phase-down”, parecem equivalentes mas não são. Deixar de usar não equivale a reduzir o uso. E por isso, as raposas do petróleo estavam todas em DUBAI, inclusive para convidar o Brasil para se tornar membro do poderoso oligopólio da OPEP. Parecia até um Congresso Internacional do Cartel de Medellin, comandado pela reencarnação de Pablo Escobar.

Como último ato, ler a frase copiada do livro de citações da frase de Churchill na 2a Guerra foi algo inacreditável. Quase caí pra trás na cadeira. Mais um vaselina sentado na cadeira da Nações Unidas. Vejam só:

“Whilst we didn’t turn the page on the fossil fuel era in Dubai, this outcome is the beginning of the end”
U.N. climate chief Simon Stiell

Isso me anima a oferecer material menos escorregadio, sem as incertezas de um inglês alcoólatra e culto:

“No mundo infernal, os inocentes serão condenados, e os culpados serão exaltados. Não haverá pena, graça ou generosidade. Só crueldade. E muitos acreditarão que isso é business”
@vladc

O AVATAR, A MOTOSERRA E OS SÍMBOLOS

O Simb0lismo, foi um movimento literário cujo objetivo era representar a verdade por meio da linguagem metafórica e suas respectivas imagens. Sempre tive um especial interesse pela obra de Cruz e Souza, pela sua capacidade de dizer sem dizer, especialmente num ambiente com carga de censura e patrulhamento moral discriminatório. Sua obra pode ser vista como um mecanismo de defesa, criptografia ou papo de maluco pra ninguém entender.

Capital simbólico na política, é muito utilizado por Anarquistas, pela turma da Revolução da Paz e Amor, Diversidade de Gênero, Panteras Negras, grupos de uma variedade imensa da história, fora das estruturas de status quo e minoritárias que buscam visibilidade. Certas marcas se tornam virais. Aconteceu com a motoserra argentina. Há números sobre a insatisfação planetária em relação a classe política. Diante dessa constatação, é previsível o nascimento de uma legião de céticos, que se tornarão inimigos do poder, assumindo a condição anti-sistema. Está acontecendo por todos os lados, daí brotam os outsiders.

É claro que essa situação em nada agrada aos que se julgam altamente preparados, profissionais da política e seus nomeados. A leva de entrantes não cessa de acontecer, sendo necessário em regimes decididos por votos apenas a popularidade. É possível comparar o Movimento Cinco Estrelas, com o comediante Beppe Grilo de 2009 com a eleição de um comediante de seriado Volodymyr Zelensky, que se torna presidente da Ucrânia? Claro que sim. Afinal, na série “Servos do Povo”, lá estava o palhaço ucraniano fazendo sua propaganda eleitoral que durou de 2015 a 2018, para ser eleito em 2019 por um partido de ocasião, criado com o mesmo nome do Programa de TV. Estamos aí, com mais de 2 anos de conflito, e os EUA já tendo injetado mais de 70 Bilhões de US$ na Guerra. Com a abertura do front de conflitos na faixa de Gaza e os problemas locais com a fronteira e imigrantes, Biden não terá mais 60 Bilhões de US$ para seu aliado recente. A geopolítica é dinâmica e não existe cobertor infinito para destruições. É óbvio que Putin sabe disso e opera com o tempo do relógio de xadrez.

Agora, imaginem os senhores, se no Brasil alguém criasse um partido chamado BBB? Estaria eleito pelo reality que gera a maior audiência da história da TV brasileira, disso não duvido. A disputa em questão é pela atenção da população pelos símbolos. São eles que elegem. Ficamos comovidos com o Avatar de James Cameron e a proteção das Florestas? Sim. Mas isso de nada adiantou sequer para que a carta final citasse a eliminação dos combustíveis fósseis. Tendo acontecido sob as barbas dos maiores produtores de petróleo do mundo, você esperava algo diferente? Dubai é o símbolo da opulência produzida por esse padrão de riqueza. Colocaram a raposa pra tomar conta do galinheiro, o CEO escolhido, um desses sheiks. Esquece, não tem como dar certo, vale a viagem e a domesticação da militância, com direito a distribuição de presentes, jóias, jantares e etc.

Acompanho o drama argentino em sua luta frente a desafios econômicos desde que falávamos sobre o efeito Orloff, que significava que todos os erros cometidos por lá, aconteciam logo a seguir por aqui. Nós interrompemos esse ciclo. Por lá, eles se perpetuaram, se aprofundaram e o Brasil não lhes serviu de exemplo. Israel fazia parte desse grupo de países onde a hiperinflação era um flagelo. Continuamos com outros problemas, mas desse nos livramos, por enquanto.

A motoserra argentina foi um símbolo forte, a resposta das urnas, uma intuição popular sobre a inépcia do Estado, sua ineficiência e distância da realidade na qual o país anda mergulhado. Cortar despesas domésticas é o que qualquer cidadão faz, quando não possui recursos, e no limite vai viver em regime de Economia de Guerra. Fazer de conta que nada está acontecendo e tentar agenciar politicamente, empurrando com a barriga, uma aposta que abre caminho para aqueles que de algum modo captarem o momento e com a popularidade que possuem, venderem seu peixe. Podre ou não, eles vão chegar.

Quanto a Cruz e Souza, não se pode dizer que o simbolismo traz otimismo em sua poesia:

ASTRO FRIO

“Por entre celas místicas, silenciosas, lá te foste emudecer para sempre, ó harmonioso e célebre pássaro do canto, nos pesados claustros.
Cor de rosa e de ouro na iluminada sala dos teatros, trinava para o alto inefavelmente, e, agora, não sei por que tormentosa paixão que te desolou um dia, ficaste infinitivamente reclusa, sob os fuscos tetos de um convento, como uma rara rosa opulenta numa estufa triste, fugindo ao sol dos prados.
Fria e muda estarás, talvez, a estas horas, ajoelhada na capela de um Cristo glacial de marfim sagrado — branca, mais glacial e de mais branco marfim do que esse Cristo, com as níveas mãos de cera e face também de cera macerada pelos jejuns e pelos cilícios, dentro de sombrias vestes talares.
E, assim muda e assim fria, perpassarás como a sombra de um vivo afeto ou de um profundo sentimento artístico, ao frouxo clarão de âmbar das lâmpadas lavoradas.
O teu alado perfil, as tuas linhas suaves, serão, no religioso crepúsculo da capela, como que a recordação do aroma, da luz, do som que tu para a Arte foste.
Nos olhos, apenas uma centelha, uma leve faísca evidenciará o passado esplendor, o encanto que eles tiveram, quando amaram, cá fora no mundo, com as violências do desejo, com os ímpetos frenéticos, vertiginosos da carne.
E os corações que te adoraram, que te ouviram outrora os incomparáveis gorjeios da garganta, que te sentiram a carnação formosa palpitando sob a vitória dos aplausos, ficarão saudosos e perplexos ao ver-te agora assim para sempre enclausurada, para sempre gelada aos fulgores e sensações do mundo, mergulhada, enfim, na necrópole de um convento, como um astro através de frígidas e espessas camadas de neve…”

Imagino a dor do poeta, ao saber que muitos perderam belas trepadas para o convento. Só não concordo que a vida no interior dos mesmos aconteça de forma tão frígida quanto narrado na poesia. Felizmente hoje, sabemos que não e podemos falar sobre isso. A Igreja Católica se tornou um pequeno enclave no seio de Roma, sem o poder de vida e morte frente aos que falem mal dela e denunciem as atrocidades cometidas. Cada qual escreve como sua época permite.

 

ESSA SOPA QUE NEM PARECE SOPA…

Viajamos na ideia de comer como uma nação indígena moradora do gelo do Alasca. Os esquimós e seus iglus remetem a memórias infantis de um mundo com uma certa pureza e muitas lendas. Encontramos receitas com um peixe muito utilizado na gastronomia japonesa, que por ser importado  chega cada vez mais caro nas mesas do Brasil: o salmão. É curioso ver a semelhança de uso de alguns recursos, também usados pelos nossos índios daqui. Falaremos sobre isso num artigo próximo, sobre A MELHOR CARNE DE PEIXE DO MUNDO. Por enquanto, vamos tentar o fórmula sugerida.

RECEITA:

A sopa de cabeça de salmão é um alimento básico na dieta dos nativos do Alasca, compartilhada como alimento e remédio para aumentar o sistema imunológico entre amigos e familiares. Fazer caldo com cabeças e espinhas de peixe libera cálcio e várias vitaminas essenciais, sem falar no sabor profundo. A versão das irmãs segue sugestões de pho e é repleta de temperos quentes e ervas frescas. Se o seu peixeiro não tiver uma cabeça de salmão à mão, o caldo ainda ficará excelente feito apenas com restos de salmão.
4 PORÇÕES
ESTOQUE
2 colheres de sopa. azeite extra-virgem
½ cabeça média de repolho Napa, picada grosseiramente
1 cebola média cortada ao meio
1 maçã média, descascada, sem caroço, cortada em pedaços de ½ ”
1 cenoura grande, descascada e picada grosseiramente
1 talo de aipo picado grosseiramente
1 1 “pedaço de gengibre, descascado e em fatias finas
3 dentes de alho amassados
1 cabeça de salmão, de preferência selvagem, com guelras removidas, enxaguada e cortada ao meio (opcional)
2 libras de restos de salmão, como restos de espinha dorsal e/ou filé, enxaguados
1 pau de canela de 3 “de comprimento
3 anis estrelado inteiro
1 colher de chá. sementes de coentro
1 colher de chá. sementes de erva-doce
1 8 onças. suco de amêijoa de garrafa
Suco de 2 limões
¼ xícara de molho hoisin
¼ xícara de molho de soja
1 Colher de Sopa. sriracha ou molho de pimenta e alho (opcional)
1 Colher de Sopa. óleo de gergelim torrado
SALMÃO E MONTAGEM
8 onças. macarrão de arroz largo ou aletria de arroz
4 3 onças. filés de salmão com pele, de preferência selvagem
½ colher de chá. canela em pó
Sal Kosher
1 Colher de Sopa. azeite extra-virgem
½ cebola média em fatias finas
1 cenoura média, descascada, cortada em palitos de fósforo
1 xícara de folhas verdes em fatias finas (como bok choy, repolho Napa ou acelga)
Broto de feijão, folhas de manjericão tailandês ou doce, folhas de coentro com caules macios e/ou jalapeño fatiado (para servir)
ESTOQUE Aqueça o azeite em uma panela grande em fogo médio-alto. Cozinhe o repolho, a cebola, a maçã, a cenoura, o aipo, o gengibre e o alho, mexendo sempre, até que o repolho comece a amolecer, cerca de 3 minutos. Adicione a cabeça de salmão (se for usar), restos de salmão, pau de canela, anis estrelado, sementes de coentro e sementes de erva-doce. Despeje o suco de amêijoa e adicione água suficiente para cobrir. Leve para ferver e cozinhe, retirando a espuma da superfície e adicionando mais água se necessário para manter tudo submerso, até que o caldo fique com a cor escurecida, reduzido em um terço e saboroso, 2½–3 horas. Passe por uma peneira de malha fina para outra panela grande. Junte o suco de limão, o hoisin, o molho de soja, o sriracha (se usar) e o óleo de gergelim. Deixe ferver e cozinhe até que os sabores se fundam, 12–15 minutos.
FAÇA ANTES: O estoque pode ser feito com 1 semana de antecedência. Deixe esfriar; cubra e leve à geladeira ou congele por até 3 meses.
SALMÃO E MONTAGEM Enquanto o caldo está fervendo, coloque o macarrão de arroz em uma tigela grande e despeje água fervente até cobrir. Deixe descansar, mexendo ocasionalmente, até ficar macio, 7–10 minutos. Escorra e lave em água fria.
Seque os filés de salmão; polvilhe com canela em pó e tempere com sal. Aqueça o azeite em uma frigideira grande antiaderente em médio-alto. Coloque o peixe, com a carne voltada para baixo, na panela e cozinhe até dourar levemente por baixo, cerca de 2 minutos. Vire os filés e cozinhe até que a polpa fique quase opaca, mas ainda ligeiramente translúcida no centro e lasque facilmente com um garfo, 5–7 minutos. Transfira para um prato.
Divida o caldo, o macarrão e os filés de salmão em tigelas fundas. Cubra com cebola, cenoura e verduras. Sirva com broto de feijão, manjericão tailandês, coentro e/ou jalapeño como cobertura.

Receita escolhida por nossa equipe de Curadoria Gastronômica, para avaliação e reapropriação criativa. O resultado será apresentado numa LIVE do “Cozinhe com Byluca”.

ESSA SOPA QUE NEM PARECE SOPA

QUEM É TAYLOR SWIFT?

Como definir alguma coisa, segundo os filósofos e seus arquivos invertidos? O que é um cachorro? Um cachorro não é um gato. Já é um bom começo. Ao se definir o que não se é, pode ser que você acabe chegando, por eliminação ao que se é. Foi Parmenides que ensinou isso aos Titãs, musicado em “O que“. A cantora Taylor Swift não é botafoguense, mas bem que poderia. No dito popular local, evite levar gato por lebre.
Pra resumir, Taylor Swift é a personalidade do ano da Revista Time. No entanto, esteve no Brasil em que a maioria nunca havia ouvido falar, muito menos ouvido qualquer música da cantora.
Seus shows no Rio de Janeiro não inundaram de jovens antenados por acaso. Nem mesmo os maus tratos produzidos por uma organização gananciosa e despreparada retiraram o brilho da estrela que passou pelo tapetinho alvinegro, coincidentemente vestida em preto e branco na capa. Há razões para isso. A pulseira da amizade, a defesa de posições políticas em ambiente conservador de maneira explícita, sua autoralidade dramática, a exibição de seus documentários para o público que tem acesso a NETFLIX, a sua relação com o mundo da moda, e a nossa velha tradição em ser um país fortemente colonizado.
Por incrível que pareça, essa é a nossa força. Novas gerações estão chegando, novos valores se enfrentarão, pássaros sairão de suas gaiolas, enrustidos sairão de seus armários, e isso tudo, de uma forma bem mais natural. Como diria Parmenides, ninguém pode ser aquilo que não é.
Queiram os conservadores ou não.

PERU DEFUMADO TEMPERADO AO MODO CHURRASCO

Nesse verdadeiro laboratório de testes, tem acontecido de tudo. Justamente quando pensamos em experimentar introduzir um Peru de Natal de maneira diferente, me aparece o tradutor do Google, que mais parecia ter “fumado” um do que se curvado a sugestão do Peru “defumado”, o que me pareceu uma vergonha pra uma empresa de TI que se locupleta de usar IA generativo para fazer suas máquinas aprenderem a traduzir. Nosso editorial, apesar de ser sem-Chefe, não é acéfalo. Corrigido o entrevero, só me resta indicar aos mais nervosos chá de camomila e uma pérola do humor, O Peru da Festa, com Costinha.

RECEITA

Que este seja o ano em que você finalmente nos ouvirá e se “voluntariará” para cozinhar o peru lá fora, onde será recompensado com um pássaro maravilhosamente polido e adocicado – e uma desculpa para escapar para a paz e tranquilidade do ar livre. Embora tenhamos desenvolvido esta receita para grelhar, ela também funciona muito bem no defumador. Basta preparar o seu defumador conforme orientação do fabricante, visando a temperatura de 300°, e seguir os tempos e temperaturas abaixo, reabastecendo o combustível conforme necessário.
8–10 PORÇÕES
ESFREGAR
⅓ xícara de Diamond Crystal ou ¼ xícara de sal kosher Morton
⅓ xícara (embalada) de açúcar mascavo escuro
2 colheres de sopa. Pimenta em pó
2 colheres de sopa. páprica defumada
1 Colher de Sopa. pimenta moída na hora
1 Colher de Sopa. pó de alho
1 Colher de Sopa. coentro em pó
1 Colher de Sopa. pó de cebola
1 12–14 libras. peru, pescoço e miúdos removidos e secos
CONJUNTO
Óleo vegetal (para grelhar)
1 cebola roxa média, cortada em quartos
4 colheres de sopa. manteiga sem sal, temperatura ambiente, mais ¾ xícara (1½ palitos) de manteiga sem sal, derretida
EQUIPAMENTO ESPECIAL: 6 xícaras de lascas de madeira de nogueira, embebidas em água por pelo menos 30 minutos; uma bandeja coletora, se caber abaixo da grelha da churrasqueira; um acionador de partida de chaminé se estiver usando um grelhador a carvão.
RUB Misture sal, açúcar mascavo, pimenta em pó, páprica, pimenta, alho em pó, coentro e cebola em pó em uma tigela média.
Coloque o peru, com o peito para cima, em uma gradinha plana dentro de uma assadeira grande com borda. (Se você não tiver essa configuração, coloque o peru em uma grelha em forma de V dentro de uma assadeira grande.) Polvilhe salmoura seca por fora e por dentro do peru, dando tapinhas para aderir e enfiando um pouco nas fendas. Certifique-se de usar toda a salmoura seca e distribuí-la uniformemente. Refrigere a ave, descoberta, por pelo menos 12 horas e até 2 dias.
MONTAGEM Deixe o peru descansar em temperatura ambiente 1 hora antes de cozinhar.
Enquanto isso, empilhe dois pedaços de papel alumínio resistente de 16 x 12 “em uma superfície e monte 2 xícaras de lascas de madeira no centro. Junte os lados longos do papel alumínio e enrole para selar bem; dobre os lados curtos para baixo para criar uma bolsa. (Dobrando o os lados curtos abaixo criarão camadas extras de proteção contra o calor.) Repita o processo com mais papel alumínio e lascas de madeira restantes para fazer mais 2 bolsas. Usando uma faca, faça cerca de 15 furos na parte superior de cada bolsa.
Se estiver usando uma churrasqueira a gás, prepare a churrasqueira para calor indireto médio-baixo (coloque um queimador em fogo médio-alto; deixe os queimadores restantes desligados). Coloque um saco de aparas de madeira diretamente sobre a chama. Cubra a grelha e aqueça a 300° (coloque um termômetro de forno no centro do lado indireto da grelha, se não houver um embutido). Grelhe levemente com óleo.
Se estiver usando um grelhador a carvão, encha o starter da chaminé com carvão; acenda e deixe queimar até que as brasas estejam cobertas com uma fina camada de cinza. Despeje as brasas e reserve para cobrir um terço da grelha. Coloque uma bolsa de aparas de madeira diretamente em cima das brasas; coloque uma bandeja coletora no lado mais frio da grelha. Coloque a grelha na grelha, tampe e aqueça a 300°, ajustando as aberturas na parte superior e inferior da grelha conforme necessário para controlar a temperatura (coloque um termômetro de forno no centro do lado indireto da grelha, se não houver um embutido). Grelhe levemente com óleo.
Coloque a cebola roxa dentro da cavidade do peru. Usando os dedos, separe delicadamente a pele da carne do peito, começando pelo pescoço. Passe manteiga em temperatura ambiente sob a pele, espalhando uniformemente em ambos os seios. Amarre as pernas com barbante de cozinha e coloque as asas embaixo do pássaro.
Coloque o peru, com o peito voltado para cima, sobre fogo indireto e tampe a grelha. Fume o peru, regando com manteiga derretida a cada 30 minutos, girando o pássaro 180° a cada hora e substituindo a bolsa de lascas de madeira sempre que a fumaça diminuir, até que um termômetro de leitura instantânea inserido na parte mais grossa do peito perto do pescoço registre 145°, 3¼ –3¾ horas. Fique de olho na temperatura dentro da churrasqueira e tente manter o calor em 300° o máximo possível. Se estiver usando um grelhador a carvão, acenda uma chaminé com carvão e coloque-o na grelha conforme necessário.
Gire o peru para que o peito fique o mais longe possível do calor direto e continue a fumar, ainda coberto, até que a pele esteja profundamente dourada e um termômetro de leitura instantânea inserido na parte mais grossa da coxa registre 165° (o peito deve registrar 155°), 30 –60 minutos a mais.
Transfira o peru para uma tábua e deixe descansar por pelo menos 30 minutos e até 1 hora antes de cortá-lo.

Receita escolhida por nossa equipe de Curadoria Gastronômica, para avaliação e reapropriação criativa. O resultado será apresentado numa LIVE do “Cozinhe com Byluca”.

PERU DEFUMADO TEMPERADO AO MODO CHURRASCO

A SIMPLICIDADE COMO BASE DA ALIMENTAÇÃO

Natal chegando, aproveitamos algumas características da cultura e do modo de alimento, para trazer novidades para nossa BANCADA DE AVALIAÇÃO. A ideia de experimentar uma comida que nunca tenha sido provada pelo Chef-Artista é a base dessa iniciativa. Em poucas palavras, mãos na massa, e vamos ver no que vai dar. Mas é muito provável que, partindo de boas escolhas e com certificações editoriais de padrão internacional, o resultado seja, no mínimo, satisfatório.

RECEITA

Salsa fresca, sálvia, alecrim e tomilho fazem com que este recheio clássico se destaque da multidão – e são úteis para ter à mão para outros clássicos do feriado. Rasgue, em vez de cortar, o pão em pedaços irregulares para maximizar os pedaços crocantes e ásperos que todo mundo adora.
8–10 PORÇÕES
¾ xícara (1½ palitos) de manteiga sem sal e mais para o prato
1 1 libra. pão branco estilo country, rasgado em pedaços de 1 ”
2½ cebolas médias picadas
3 talos de aipo, fatiados com ¼” de espessura
½ xícara de salsa picada
2 colheres de sopa. sálvia picada
1 Colher de Sopa. alecrim picado
1 Colher de Sopa. tomilho picado
2 colheres de chá. Cristal de Diamante ou 1¼ colher de chá. Sal kosher Morton
1 colher de chá. pimenta moída na hora
2½ xícaras de caldo de galinha com baixo teor de sódio, dividido
2 ovos grandes
Coloque uma gradinha no meio do forno; pré-aqueça a 350°. Unte com manteiga uma assadeira de 13 x 9 “. Disponha o pão em uma única camada em uma assadeira grande e leve ao forno até secar e dourar nas bordas, 30-40 minutos. Deixe esfriar.
Enquanto isso, derreta ¾ xícara de manteiga em uma frigideira grande em fogo médio-alto. Cozinhe as cebolas e o aipo, mexendo ocasionalmente, até que as cebolas estejam macias e douradas nas bordas, 10–12 minutos. Raspe em uma tigela grande. Deixe esfriar.
Adicione o pão, a salsa, a sálvia, o alecrim, o tomilho, o sal e a pimenta na tigela. Regue metade do caldo; misture delicadamente para combinar. Bata os ovos e o caldo restante em uma tigela pequena para combinar e despeje sobre a mistura de pão; dobre delicadamente para combinar. Transfira o recheio para o prato preparado e cubra com papel alumínio.
Asse o recheio até ficar bem quente (um termômetro de leitura instantânea inserido no centro deve registrar 160°), 40–50 minutos. Retire o papel alumínio e continue a assar até que o recheio esteja firme e a parte superior esteja dourada e crocante, 40-45 minutos a mais.
FAÇA ANTES: O pão pode ser assado com 1 dia de antecedência; guarde frouxamente coberto em temperatura ambiente. O recheio pode ser montado com 1 dia de antecedência; cubra e leve à geladeira. Deixe atingir a temperatura ambiente antes de assar.

Receita escolhida por nossa equipe de Curadoria Gastronômica, para avaliação e reapropriação criativa. O resultado será apresentado numa LIVE do “Cozinhe com Byluca”.
RECHEIO SIMPLES É O MELHOR

CHEGOU O DEZEMBRO, O DEZEMBRO CHEGOU

O ano de 2023 chegou ao seu último mês. Repetindo a tradição, que insiste em contrariar as afirmações que considero, se não aterrorizantes, porque não dizer terroristas, das igrejas que insistem em espalhar o medo pela via do fim do mundo, captando assim dinheiro dos incautos, na sacolinha e conversão de mais gente de boa fé e pouca educação. O sol continuará nascendo em 2024, o sol continuará se pondo no final da tarde, profecia fácil, a matemática aplicada a astronomia nos garante isso.

Obrigado Kepler, Copérnico e toda a legião!

Nesse dia 5 de dezembro, fiz uma playlist no Spotify, pra festa de aniversário da minha prima. Meio improvisada, sem rigor,  pesquisa ou maiores critérios. Atendeu com sobras a necessidade dos participantes, na ênfase ao samba, influência direta da cabrocha aniversariante, amante da Portela e botafoguense. Dessa vez, um ato ajudado pelo I.A., que errou pouco. Corrigi ao fim da festa os “desvios”. Como dizem que os algoritmos tem o poder de reaprender ao infinito, continuarei medindo. Por enquanto a taxa de desvios é muito alta para meus padrões de uso.

A proximidade do Dia Nacional do Samba, e a companhia de praticantes e frequentadores das rodas, bem mais conhecedores do que eu – Hélio da Cuíca e meu sobrinho Leonardo – obrigavam uma produção em tempo real. A reclamação sobre a ausência de um violão me obrigou a arregaçar as mangas e retirar da cartola um violão Eagle e um aparelho SP217 da marca Multilaser, fruto de uma viagem a São Paulo. A pilha foi encontrada na casa do vizinho. Isso é o que chamo de produção coletiva.

Se cinco anos pesam, imagine os 40 anos de estrada do Zeca Pagodinho, apresentados no Som Brasil sob o comando de Pedro Bial? Era impossível evitar que essa conjunção astral, não atuasse no meu subconsciente, trazendo a sonoridade que é marca de nosso país, e mais especificamente do lugar onde o samba nasceu, o Rio de Janeiro.

Esse dezembro chegou com tudo, queimando geral. E pra quem acha que os corpos carbonizados nas favelas cariocas são o estado mais calamitoso do ocidente, é porque nunca ouviram falar das piores gangues do mundo, como a do Haiti. Por lá, a capital de nome Santo Príncipe está com os dias contados, uma vez que a palavra santo está prestes a desaparecer do dicionário local, assim como a palavra amor, em não existe amor em SP, na voz de Criolo.

 

O SARAU, O SENTIR E SUAS EPÍGRAFES

Sua literatura está em dia? Mentira. Sei que você anda lendo pouco. A consequência disso para o mundo prático que frequenta? Nenhuma. Se a leitura anda rasa, imagine a presença em rodas de poesia, e saraus? É muito provável que nunca tenha frequentado algum. Tenho notícia mesmo de adultos que nunca foram ao cinema, teatro ou exposições de arte. São ingredientes desnecessários na luta pela sobrevivência.

Foi por essas e por outras que me obriguei a visitar o Sarau do Calango.

Tudo começou no dia anterior. Por aqui não há antes, durante ou depois. O Espaço-Tempo foi mesclado. E gerou uma espécie híbrida, como no caso da mestiçagem alternada no Brasil. Me causa espécie ver cães cheirando rabo de gatos e gatas. Não deveria. Há algum motivo pra isso. No nível de desgaste que as rotinas 24/7 em diferentes fusos me consumiram nesses últimos 30 dias, sabia que pra estar presente com a intensidade máxima, alguém ia dançar. Dança eu, dança tu, dança o rabo do Tatu.

Nesse caso, ou iria ao show dos Gilsons na Lona do pai, ou iria no Sarau do Calango, que foi adiado do dia de Zumbi dos Palmares por questões climáticas, para o Dia Nacional do Samba. Precavido, fui logo escrever UMA ESPÉCIE SUICIDA NO SEXTO APOCALIPSE, me desincumbindo da tarefa na madruga. Enquanto o Sarau não vinha, continuei a arrumação do que restou do meu acervo de literário, do ataque dos cupins intelectuais de esquerda. Uma miríade de detalhes e memórias, que uma pessoa normal jogaria no lixo, tal o valor financeiro que possuem.
Não eu.
Separando parte a parte, guardei sacos vazios de Cosme Damião – sobras da última distribuição de doces em setembro – num vaso de porcelana do Santuário. Consegui separar uma coleção de fitas cassetes, ainda sem saber onde guardar e encontrei três livros encadernados, escritos por mim.
Um deles, com código e registrado na Biblioteca Nacional, minha primeira experiência como editor-autor. Os outros dois, haviam sido perdidos!, em computadores roubados. Sem dispor dos arquivos digitais, sobrou uma única cópia impressa, resgate arqueológico. Atribuo a generosidade dos cupins para comigo. Um dos livros sobreviventes, com nome escrito no envelope velho e de bordas carcomidas: ELA ME DEU UM LIVRO. Um título de triplo sentido.
Ela me deu
Quem deu o livro fui eu
Ontem outra vez, comprei um livro e dei…
Pra uma outra ela, sem sequer me dar conta de que era uma história parecida…
Presenteei-a com É SOBRE SENTIR, da escritora Thaina Barbosa, presente com suas reflexões, a quem conheceria ao longo do evento.
Levei para o Sarau libretos da FLIP DE 2011, onde filmei pelado a Macumba Antropofágica do Zé Celso, além de 3 livros que decidi dar, como forma de criar esse hábito, nessa turma atuante, mesmo quando não se oferece alguma vantagem material. Questão de reciprocidade no afeto, pra um Sarau que merece carinho. Presentes são estímulos aos que estão presentes.

Fui tomar banho, veio o insight… Peguei os sacos de Cosme Damião e coloquei uma fita-cassete em cada, escrevendo o título de cada uma no verso do saco, o que facilitaria a identificação ao anunciar na performance o conteúdo. Performance? Como assim? Se era dia de celebrar Zumbi? É que lá, rola um tal de microfone aberto, havia uma chance. Lá estavam eles, Gilberto Gil in Concert, Chico Buarque, 35 anos de Francisco Alves, Gal Costa, Roberto Carlos, Carlos Gardel, o Peru do Costinha, etc.

No Kit improvisado-descompensado, havia uma placa lilás purpurinada, com letreiro branco onde se lia: O AMOR É CEGO, e levei um óculos escuro. Pelo caminho, criei para os mais jovens o DESAFIO ANALÓGICO. Pela faixa etária, considerei mesmo que muitos nunca tivessem visto algum aparelho de fita cassete, pela facilidade do streaming… Minhas melhores audições aconteceram em Brasília, usando um Walkman da Sony, ouvindo Earth Wind and Fire. Aos que me responderam “imagino como é o som”, respondo: só tendo usado pra saber…

Tal como o Dia dos Mortos, os organizadores aproveitaram a noite para homenagear Kzk SérgioO Poeta de Antares, porque eternizar é preciso, muito especialmente os nossos. A questão da ancestralidade, cultuada em tantas filosofias e religiões, enfrenta por aqui uma resistência, tendência ao apagamento das memórias. A bem da verdade, parece até que só Jesus tem o direito de ser lembrado para a eternidade. Não na praça da Capelinha.

As evocações também trouxeram nada menos que Marcio Rufino, um desses duros na queda, e seu abacaxi trazido de Angola, que esse país terá que descascar cedo ou tarde, se não quiser ter que engolir com casca e coroa. Noite longa, pulei atrações pra comer e beber, antes da Banda Cidade Partida, sonoridade azeitada no dendê, de linguagem própria, um desses autorais com que a gente esbarra pelas esquinas, e que não precisam esperar pelas multidões para acontecer.

É que o acontecimento é. Ele se basta. Como um perfume, feito de essência e fixador. O fixador, pode até dar escala, ampliar o tempo de uso. Mas de que adiantaria isso, sem a essência. Essa sim, pode ser verificada em qualquer escala, numa fitinha de papel ou num vidro de amostra grátis. É ela que importa, para além das multidões e dos shows para 100 mil. Foi assim com a banda Djéli, que não se intimidou com o adverso e seguiu num quase-acústico aconchegante. Batismo de fogo, pisar em brasas, vida real.

Ao talento se dispensa a curva do mercado, vale preservar sua  expressão, marca identitária. Na calada daquela noite, histórias espalhadas, e algumas epígrafes, para fixar no Santuário.

 

 

UMA ESPÉCIE SUICIDA NO SEXTO APOCALIPSE

1986. Lá estava eu, caminhando por sobre as areias da praia do Francês, em Alagoas. Não me faltavam lagostas, caranguejos e o exclusivo sururu de capote, pra encarar a longa caminhada pela beira daquele mar, ladeado por coqueirais no horizonte infinito.
Vislumbro bem distante, a capital Maceió, terra de meu pai. Subitamente, a cidade sumiu! Foi assim, os bairros foram sugados para uma viagem ao centro da terra, para nunca mais voltar. Naquela mesma semana, um filme na TV exibia lavas de um vulcão engolindo Los Angeles, com uma equipe de geólogas sendo tratadas como roteiristas de um filme de ficção. Hoje, a ficção virou realidade, na terra de Graciliano Ramos e seu Vidas Secas.
A Igreja, coitada, continuará ganhando pontos, anunciando o fim. Do ponto de vista científico, Isaac Newton até tentou calcula-lo para os fatalistas de sua época, os adventistas. Deu com os burros n’água, gerando descontentamento e desmobilização, em lugar de alívio. Sim, fato real, conheço gente que segue líderes que pregam o fim como meio. Muitos treinam homens-bomba.

Quem aposta no fim quer ganhar, mesmo que pra isso faça valer uma profecia da obviedade. Convenhamos, se associar a esse tipo de profecia é a mesma coisa que profetizar que o sol vai nascer amanhã. Só que dessa afirmação em diante você pode acoplar a história que bem entender, com os adereços que lhe interessar. Esse tipo de construção retórica desafia a inteligência humana, nos arremessa aos primórdios, lá no fundo da caverna dos Pirineus. Ou seriam as cavernas do sal gema pra produzir cloro, que a Braskem cuidará de tampar, bem lentamente, até o final dos tempos? Afinal, para a BRKM5, na bolsa de valores, tempo não falta, seu interesse é ganhar.

A lua, 10% da Terra, que se desgarrou e ficou por perto, se afasta 3 centímetros a cada ano de nós. Em algum tempo, não promoverá o efeito das marés, ou eclipse total do sol. É calculável.
Mas e o fim? Estaremos condenados a nos tornar a 1a espécie suicida a precipitar o apocalipse, em lugar de permitir que ele aconteça pelas transformações cósmicas? Espero que não. A palavra da moda entre especialistas sobre impacto do homem nos destinos da Terra é Antropoceno, e se aplica diretamente no caso de Maceió e tantos outros em andamento pelo mundo. Articulando dimensões, quase nunca relacionadas, é possível afirmar que nossa capacidade para o suicídio em massa foi colocada em prática já na 2a Guerra Mundial, com o uso de bombas atômicas nos genocídios da população civil japonesa. Ultrapassamos as linhas de conduta ética bem antes, mas ali consumamos a possibilidade de auto-extinção, só mantida em suspensão graças ao fim da Guerra Fria.

Olhando retrospectivamente para o que fomos capazes de fazer no último século, fica claro que os atuais 6 bilhões de habitantes humanos tornam para quem olha planilhas, os 700 mil mortos de covid-19 no Brasil apenas um número, assim como as 1.200 vítimas em Israel ou os 15 mil na Palestina. A diáspora na Ucrânia, levando 10 milhões para fora de suas fronteiras também não são vistos como “um número significativo”, muito menos os desalojados dos bairros da capital alagoana. Os dramas locais humanos não alcançam peso expressivo nas análises frias, quando comparados aos grandes números da espécie.

O problema ganha outra perspectiva quando olhamos para as espécies mamíferas, ou para as aves, ou para a biodiversidade existente. Ou seja, olhar apenas para o próprio umbigo, tendo o homem como o centro de todas as coisas parece ser um erro estratégico até infantil. Numa palestra sobre “O Futuro dos Museus”, em visita ao Rio de Janeiro #FormsOfLife, Michael John Gorman, criador da Biotopia em Munique. Deixo pra reflexão das Igrejas, 95% dos mamíferos e pássaros na terra são humanos ou criados para o abate pelos mesmos. Já fudemos com o “resto” das espécies, quantitativamente falando.

Deixo pistas sobre a COP28, que traz alertas mais significativos, porque evidentes economicamente. As cadeias produtivas ruirão, essa é a minha profecia, caso algumas medidas não sejam adotadas. É importante dizer, já temos massa crítica suficiente para agir. Deixarei vocês com os que selecionei.

Pra começar, o dilema de deixar a raposa cuidar do galinheiro. Um evento desses em Dubai, sob os auspícios de Ahmed Al Jaber, COE com a missão de reduzir o uso de combustíveis fósseis? Me engana que eu gosto. Já vi esse filme antes, a mudança não virá dos que estão por cima da carne seca, vendendo petróleo pelo preço que o cartel desejar. Muito menos dos acordos entre burocratas das Nações. Então vamos pular esses nomes e capítulo, e dirigir o interesse a nomes do underground.

Na lista da revista Times, na seção de “catalisadores”, escolhi o diretor de Avatar, James Cameron, para mim o responsável por uma mudança cultural, sem a qual não adianta camuflar com economias de bilhões de dólares na produção de alumínio. Sem mudar a perspectiva no nível da percepção do que estamos fazendo, esquece. Quanto aos 3 líderes citados, escolhi Annete Clayton, por sua relação com sistemas de fornecimento de energia elétrica, uma das capacidades onde o Brasil possui uma vantagem competitiva extraordinária, mal aproveitada. Mas poderia ter colocado algum nome brasileiro que lidera esse processo aqui, no lugar dos lobistas de termoelétricas, tentando perpetuar suas plantas de produção energética poluentes. A política estraga muitos frutos de nossa prosperidade local. Essa ambiguidade em relação a uma matriz energética singular, exemplo para o mundo nos atrasa.

No âmbito dos Titãs citados, senti falta do Musk, mas em seu lugar optaram por uma empresa asiática de carros elétricos, que já estacionou no Brasil, a BYD, pelas mãos da Stella Li. Vem pra Bahia, fabricar baterias. Ao que parece, já ultrapassaram a Tesla e tem fome pelo mercado ocidental. Sabemos que os carros, seja lá qual for o combustível para sua alimentação, não é o transporte aceitável para metrópoles. Assunto sem solução, para quem quer levar a sério.

Os inovadores citados, Stephane Germain, Mina Hasman, Kidus Asfaw, Val Miftakhov, Josh Tetrick, Bhavish Aggarwal, entre uma série de nomes citados, estão mergulhados em métodos para métricas de pegadas de carbono e seus impasses com setores produtivos. Infelizmente, diante dos relatos, resta dizer que o máximo que podemos esperar até aqui é uma mea culpa mal feita, com uma nova espécie de lavagem de dinheiro. A lavanderia verde é parecida com a doação que se fazia na Igreja católica, que dirimia o pecador de todas as culpas.

Como no caso de Brumadinho, do Rio Doce, e da Lagoa de Mundaú, indenizações não resolvem o problema causado. Muito menos pena de morte. Precisamos encontrar novos caminhos para encarar a presença humana no planeta. Só se locupletar não basta.

 

 

 

O TORCEDOR NÃO É BESTA

O título original da Disney, Beauty and the Beast, tem na versão da Digital Domain – empresa bem sucedida onde John Textor foi Chairman – a Besta da imagem da matéria.

Lá estavam eles, na vanguarda, produzindo uma das obras mais representativas de uma via alternativa de misturas e criatividade na música. Os Novos Baianos e o Besta é Tu, resumem parte do uso que o termo bestial traz para o que acontece no futebol brasileiro, em pleno 2023. A letra é clara, “porque não viver, não viver nesse mundo?”. Então vamos lá, vamos parar de ser besta, e pensar besteiras, no lugar de curtir tudo que aconteceu de interessante esse ano.

Foi emocionante? Sim. A matemática não explica tudo, mas a gente olha para os números e lembra da Benford’s Law. Misture ela com os números ao final da 36a rodada. Faltando duas rodadas para o fim, o líder Palmeiras tem 66 pontos. Um time estável, onde já vimos craques como Edmundo, cujo apelido no auge era “Animal”. Certas palavras ganham peso no mundo da bola. Acompanhei o trabalho no Brasil do “novato” Abel, desde seu princípio. Posso dizer que começou de mansinho e foi ganhando espaço, poder e títulos. Pagou um preço alto, será recompensado na saída, apesar dos desgastes e deslizes. Pelo menos o prêmio de consolação, o brasileiro, está na mão. Só não pode deixar Endrick no banco, como fez ao longo da Libertadores.

A besta andou solta, a violência e a agressividade dispensável alcançaram a equipe do Flamengo, desde a vitória contra o Galo, deixando marcas colhidas no jogo em casa, estacionado no número 63 ao lado de seu adversário, bem mais harmonizado por Felipão. Números não dão bons motivos ao Botafogo, a linha de tendência realizada pela imprensa aponta um segundo turno digno de segunda divisão. Muitos fatores poderiam ser apontados.

Recentemente vi o Corinthians e o Palmeiras, mesmo com shows e festivais agendados, não abrirem mão de jogar no próprio estádio. Já vimos esse filme antes. A administração do Maracanã, pela rentabilidade mais baixa do futebol, comparada com o uso por shows com valor de ingressos muito mais altos, além de patrocínios, fazem do futebol uma presa fácil. Quem se deixar seduzir por essa noção, dispersa energia, perde títulos.

Pontos preciosos, estratégias equivocadas, clima de oba-oba e já ganhou fez muitas vítimas na história do futebol. A Argentina em 2014 comemorou antes da final, em São Paulo, perderam pra Alemanha. O Flamengo viveu o início de suas conquistas, com uma fase do Cheirinho, bem contada em meu livro “Os Filhos do Mário“. O Brasil já morreu de véspera, com as respectivas esposas dos “futuros campeões”, aguardando o título numa festa no bairro da Urca, enquanto o time era derrotado pelos uruguaios. Não se ganha antes.

E o torcedor, não é besta. Cada vez mais, olha o prêmio das casas de apostas e lá descobre rapidinho quem é gato e quem é lebre. Três times já estão matematicamente rebaixados. A briga agora é pelo só resta um, quatro times disputam a última vaga pelo rebaixamento para a segundona. Os números, nesse caso, são diabólicos e traiçoeiros.

UMA ÁRVORE CENTENÁRIA CAIU

Estou velha demais para morrer, disse a árvore, diante da tentativa de cancelamento a sua presença no baile de gala na Rice University. Como lidar com noções como “apagamento de memórias” e ao mesmo tempo se dizer oponente do negativismo? Considerando o que pude acompanhar, Henry Kissinger foi o diplomata mais polêmico e famoso do século XX. Então aceita que dói menos. Aqueles que puderam assistir por dezenas de vezes sua presença midiática nos mais diferentes lugares e ocasiões diriam que ele era, para o bem ou para o mal, uma entidade.

A desavença artificial construída ardilosamente entre as tão próximas ideológica e geograficamente, Rússia e China? Só poderia ter sido executada pela sua obra e graça. O poder de barganha que empurrou o país “comunista” a se vender as atratividades que o capitalismo oferecia foi um veneno que tornou esse casamento tão irreversível, que o centenário partiu, mas não sem antes garantir o aperto de mãos entre os dois atuais líderes das duas maiores potências econômicas do mundo. Um velho amigo dos chineses, que fez ambos se abraçarem, tornando impossível o caminho da Guerra, pela teia de interesses recíprocos.

A história não pode ser contada pelos seus protagonistas, sob pena de distorções de conveniência, de maior efeito contrário aos fatos que as já conhecidas. A política da Guerra Fria, o Vietnã e as Ditaduras da América do Sul também fizeram parte do pacote dos assuntos conduzidos pela pasta de Kissinger. A leitura, ao contrário da negação, pode ser muito mais esclarecedora, embora pouco provável. Estudos recentes mostram que 66% dos estudantes brasileiros entre 15 e 16 anos estão lendo apenas, até 10 páginas por ano. Não há formação cognitiva, muito menos criação de senso crítico ou capacidade abstrata, com esse nível de leitura, que desqualifica completamente a validade de nossos testes de ENEM.

Para compreender o peso, a partir da Nova Ordem Mundial, do Playboy da Casa Branca, que nunca foi Presidente – mas foi eminência parda por todos os mandatos americanos de sua época – que não nasceu na China, mas esteve com mais de cinco comandantes daquele país, no momento da virada capitalista, e depois, e ainda termina a vida discutindo com lucidez e clarividência aspectos relacionados a Inteligência Artificial e seus efeitos nos rumos da humanidade, só sendo rato de biblioteca virtual.

Fontes não faltarão.

A VIDA DE GADO E UM POETA DO POVO

A primeira vez que assisti a um show de Zé Ramalho já vai tão longe que explica o desinteresse da garotada pelo cantor e poeta. Existia o Projeto Pixinguinha, em Brasília, e por meio dele era possível conhecer a obra de artistas nacionais de relevância para a cultura nacional, a um preço popular. Ainda vivíamos a ditadura militar e a ideia dos shows de circo, com platéia reduzida pela dimensão do espaço era dominante.

Tudo mudou, os custos e a escala para shows são outros, o modelo de negócios inclui como pilares de sustentação a venda de bebidas e verbas adicionais por meio de leis de incentivo que deduzem dos impostos o valor que empresas aportam para shows. Uma das coisas que acontecerá com a mudança na ordenação tributária vai mexer com as leis de incentivo, como já está mexendo com a corrida para elevação de alíquotas de ICMS, prestes a extinção.

Quem quiser olhar um acervo de mais de 400 fotografias e matéria da cobertura Areevol, do primeiro show de Zé Ramalho no Shopping, basta clicar no link abaixo:

Fotografias do Primeiro Show de Zé Ramalho no Shopping Bangu

Em seu segundo show no Estacionamento do Shopping Bangu, que se transformou no modismo pasteurizante em “arena” – clara falta de criatividade e perda de identidade cultural local – tal como o assassinato simbólico promovido pela Prefeitura, ao retirar o nome das Lonas Culturais e gastar fortunas para rebatizar os equipamentos culturais dessa categoria de “areninhas”, Zé Ramalho entregou a emoção de sempre, para um povo que cada vez mais se distancia do refrão “vida de gado, povo marcado, povo feliz”, pelo negativismo que o leva a não se olhar no espelho, mesmo quando o poeta repete “o povo foge da ignorância, apesar de viver tão perto dela”. Essas palavras faziam mais sentido num tempo distante, para os mais revoltados com a situação de suas existências. A pauta política mudou, tornando inútil a noção simbólica de um povo-gado, irreconhecível no espelho, mesmo diante de seu cadáver e ossada.

Na oportunidade dos encontros que se acumularam ao longo do show, vejo Alberto, que insistiu em negar sua condição de produtor da região, para logo a seguir me confessar ter trazido em 1996 o autor de Avôhai para a Zona Oeste. Só estava 30 anos adiante dos atuais, nessa iniciativa disruptiva, onde o acesso a cultura sempre foi limitado.

Livre das amarras, dessa vez o show do nosso respeitado menestrel começou com a música do meu querido amigo Geraldo Vandré – sobre quem ainda alimento a ideia de escrever um livro – deixando saudades das flores. Creio que essa escolha não autoral para o repertório traz a mensagem da desnecessidade dos limites autorais para se expressar. Essa noção se repete ao chamar ao longo do espetáculo a presença de Raul Seixas. Uma coisa é ser cover do Raul, ou fazer um álbum em homenagem a ele – como vimos recentemente Xande de Pilares fazer com a obra de Caetano – outra coisa é pinçar um traço identitário e o incorporar a sua própria obra, harmoniosamente. Casamentos perfeitos e criteriosos não ressuscitam gênios, mas os eternizam.

Ouvi de uma pessoa da platéia a afirmação de que Zé Ramalho não havia entregue o bastante pelas bandas de Bangu. Me ocorreu uma metáfora, informei a ela que havia ficado brocha. Já não dava mais 17 fodas a cada noite selvagem, destituído pela idade só seria capaz de 3 com direito a tempo de hidratação. A idade nos obriga a trocar quantidade por qualidade. E no meu entendimento estético, a entidade no palco, entregou a magia.

Quanto a mim, pude pelo menos produzir alguns registros, de qualidade um tanto duvidosa, mas que na interação com o público presente pode ser que deixe alguns felizes. Quem quiser dar uma olhada, é só acessar na nuvem clicando no link sublinhado em azul, a seguir.

FOTOGRAFIAS DO ENCONTRO ZÉ RAMALHO